BB: reforma de agência em Colatina dura 10 meses e adoece bancários

Três bancários já se afastaram devido a problemas respiratórios causados pela poeira de concreto, gesso e tinta espalhada pelo ambiente de trabalho. Um empregado terceirizado chegou a ser hospitalizado por intoxicação

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Problemas apurados pelo Sindibancários/ES na reforma da agência Colatina, que já dura 10 meses, expõem o descaso do Banco do Brasil com os bancários e a dificuldade de garantir qualidades mínimas de trabalho e atendimento nas unidades do Espírito Santo.

A reforma levou três bancários a se afastarem devido a problemas respiratórios causados pela poeira de concreto, gesso e tinta espalhada pelo ambiente de trabalho, e um funcionário da Falcão Serviços Terceirizados, responsável pela limpeza, foi intoxicado por produto químico usado para selar a nova laje do prédio.

“Todos adoecemos com a poeira, mas só três se afastaram. O terceirizado vinha se sentido mal há alguns dias e, numa manhã, quando foi limpar a agência antes do expediente, havia um cheiro muito forte de produto químico. Ele permaneceu no seu posto de trabalho, se intoxicou e precisou ser internado na UTI”, denuncia uma bancária da agência que preferiu não se identificar.

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O trabalhador da limpeza já teve alta hospitalar, mas o caso aponta para um problema de exploração irregular do trabalho, uma vez que esses profissionais são contratados para fazer a limpeza cotidiana da agência, e não para limpeza de áreas em reforma, que demandam outra estrutura.

A obra de Colatina ficou paralisada por mais de 30 dias entre março e abril por problemas não previstos na estrutura do prédio. “A empreiteira contratada trabalha após o expediente, mas não há uma combinação entre a empreiteira e a administração do banco sobre as etapas da obra. Como o acompanhamento do BB não é constante, o problema se estende e inviabiliza o trabalho”, explica Goretti.

O Sindicato sugeriu ao banco que os funcionários fossem realocados para outro andar do prédio e para a agência de São Silvano, mas a solicitação não foi atendida.

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 Transferência do Núcleo de Engenharia e Arquitetura intensificou problemas de condições de trabalho

Os problemas estruturais se intensificaram desde as reestruturações impostas pelo banco em 2007, que levou o NUCEN (Núcleo de Engenharia e Arquitetura do Banco do Brasil) do Estado a ser transferido para Minas Gerais e, posteriormente, para o Rio de Janeiro.

Atualmente atendidos pela plataforma carioca do NUCEN, os capixabas sofrem com o baixo número de funcionários disponíveis para atender as demandas do estado, já que a equipe de engenheiros do Rio atende, além do Espírito Santo, outras cinco regiões. Até 2008, o NUCEN capixaba contava com sete profissionais.

“A reestruturação iniciada em 2007 ampliou a terceirização das funções ligadas à engenharia e arquitetura e reduziu o quadro de funcionários, precarizando drasticamente nosso trabalho”, analisa Maria Goretti Baroni, diretora colatinense do Sindicato.

Em carta enviada à Presidência do banco em 2010, dois anos após a transferência do NUCEN, a entidade fez um balanço do agravamento dos problemas nas agências do Estado e mais uma vez requisitou a ampliação do atendimento às unidades do Espírito Santo.

“Desde 2008 enviamos cartas e laudos a diversos setores do banco cobrando o retorno do Núcleo para o Estado porque automaticamente percebemos a precarização da estrutura física das agências e o aumento das reclamações e adoecimentos”, explica Goretti.

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