Banco do Brasil tem maior lucro da história, mas não garante condições de trabalho adequadas

O Banco do Brasil registrou lucro líquido contábil de R$ 15,758 bilhões em 2013, com alta de 29,1% em relação a 2012, rentabilidade anualizada sobre o patrimônio líquido médio de 22,9% e R$1,3 trilhão em ativos, superando o Itaú e conquistando o melhor resultado da história do sistema financeiro nacional. No entanto, mesmo abrindo 88 […]

O Banco do Brasil registrou lucro líquido contábil de R$ 15,758 bilhões em 2013, com alta de 29,1% em relação a 2012, rentabilidade anualizada sobre o patrimônio líquido médio de 22,9% e R$1,3 trilhão em ativos, superando o Itaú e conquistando o melhor resultado da história do sistema financeiro nacional. No entanto, mesmo abrindo 88 novas agências, fechou 1.966 postos de trabalho no ano passado.

O desempenho do lucro contábil inclui resultados não recorrentes ou extraordinários, a exemplo dos ganhos de R$ 9,82 bilhões com a venda de ações do BB Seguridade. O BB registrou 112.216 funcionários em 31 de dezembro de 2013, com o desligamento de 1.966 trabalhadores (uma redução de 1,72% em doze meses), seguindo a tendência dos bancos privados. Apesar da queda no emprego, foram abertas 88 novas agências bancárias em 2013, que totalizaram 5.450 unidades. 

No acordo coletivo de trabalho de 2013, o BB se comprometeu a contratar três mil funcionários até agosto deste ano, e o Sindicato dos Bancários do Espírito Santo irá fiscalizar o cumprimento desse compromisso. “Apesar do alto lucro, o Banco do Brasil oferece condições de trabalho que estão no limite do insuportável. Novas agências são abertas e muitos bancários estão se aposentando. Mesmo assim, desde maio de 2013, o banco não convoca os candidatos aprovados no último concurso. Com isso, os empregados sofrem e adoecem devido à sobrecarga de trabalho”, destaca a diretora do Sindibancários/ES, Maria Goretti Barone Falqueto.

A diretora ressalta ainda que, a maior parte do lucro do banco vem de investimentos em financiamento imobiliário e no agronegócio. “Além disso, é preciso estar atento à forma de aquisição desse alto lucro, que é proveniente de uma gestão focada no mercado. O Banco do Brasil deve ter uma atenção maior para a produção, oferecendo mais linha de créditos e disponibilizando mais empregados para esse setor”, frisa.

A terceirização do serviços também fazem parte dos projetos do banco. Em 2013 o banco aumentou a terceirização na área de recuperação de crédito. Agora, a direção está terceirizando o importante trabalho de microcrédito. Esse projetos estão em andamento em detrimento da garantia dos direitos dos trabalhadores e de um atendimento de qualidade à sociedade.

Expansão da carteira de crédito

Os ativos do BB em 2013 totalizaram R$ 1,3 trilhão, com alta de 13,5% em relação a 2012, decorrente da expansão da carteira de crédito. Com esse resultado, o BB manteve a liderança em ativos entre as empresas do setor financeiro da América Latina. A carteira de crédito ampliada, que inclui Títulos e Valores Mobiliários (TVM) privados e garantias prestadas, atingiu R$ 692,9 bilhões, com alta de 19,3% no ano.

Os destaques foram o financiamento imobiliário, crédito ao agronegócio e às empresas, que tiveram, respectivamente, crescimento anual de 87,2%, 34,5% e 19,5%. O BB detém a maior participação no crédito do sistema financeiro nacional, ao atingir 21,1% de participação de mercado.

O índice de inadimplência (atrasos acima de 90 dias) representou 1,98% da carteira de crédito no ano, índice menor do que a média do sistema financeiro, que foi de 3,0% no período. Apesar da trajetória de queda da inadimplência, as despesas com provisões de crédito totalizaram R$ 15,6 bilhões, com alta de 6,5% no ano.

As receitas de serviços e tarifas totalizaram R$ 23,3 bilhões, com alta de 10,6%, enquanto as despesas de pessoal foram de R$ 17,1 bilhões (crescimento de 8,5% no período), o que resultou num índice de cobertura de 136,07% no ano.

Fonte: Com informações da Contraf 

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