Banco impõe teto de gastos para Saúde Caixa

Sem dialogar com os empregados, direção da Caixa divulga novo estatuto e impõe limite de gastos a 6,5% das folhas de pagamentos e proventos para op Saúde Caixa. Medida exige mobilização dos empregados para barrar retrocessos

Em novo estatuto divulgado nesta semana, a atual direção da Caixa ataca mais uma vez os direitos dos bancários e bancárias e impõe teto de gastos para o Saúde Caixa. A proposta do banco é limitar a participação da Caixa no custeio dos benefícios de assistência à saúde a 6,5% das folhas de pagamento e proventos. O novo modelo vai impactar diretamente em maiores custos aos empregados a partir de 2020.

As mudanças foram impostas sem nenhum diálogo com a Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa). O modelo de custeio do novo estatuto leva em consideração no cálculo do teto os gastos fiscais e administrativos, que no modelo atual são de responsabilidade exclusiva da Caixa.

“Pela redação do estatuto, ao estourar o teto de 6,5%, o novo modelo de custeio vai impactar em maiores custos ao trabalhador a partir de 2020. O atual modelo de custeio, sem teto, no qual a Caixa é responsável por 70% de todo o custo em assistência à saúde, está previsto no Acordo Aditivo dos empregados. Impor o teto de maneira unilateral é desrespeitar o processo negocial e o compromisso assumido pela própria direção da Caixa”, explica o diretor do Sindicato e coordenador da CEE/Caixa, Dionísio Reis.

“A Comissão executiva deve indicar um calendários de luta contra essa mudança imposta de forma intransigente pela Caixa, não podemos aceitar que retirem nossos direitos. E somente com forte mobilização de todos os empregados e empregadas vamos barrar mais esse ataque da atual direção do banco. Os trabalhadores da Caixa tem uma história de luta, que deve nos inspirar e nos impulsionar a defender nossos direitos e a Caixa 100% pública”, destaca a diretora do Sindibancários/ES, Rita Lima.

Negociação

Enquanto a CEE-Caixa debatia em mesa de negociação a possibilidade de promover a alteração do modelo de custeio do Saúde Caixa, a direção do banco não deu garantia de emprego e negou outros pontos essenciais aos trabalhadores como, por exemplo, a incorporação de função. Por isso, os representantes dos empregados não tiveram dúvidas em dizer não à intransigência do banco.

Modelo atual

Pelas regras atuais do Saúde Caixa, o banco arca com 70% do seu custeio, e os empregados, 30%. A porcentagem relativa aos trabalhadores é mantida por meio de 2% do valor do salário, mais 20% de coparticipação nos procedimentos médicos, limitado a R$ 2.400. O atual modelo de custeio não discrimina idade, faixa salarial ou se o empregado é aposentado ou da ativa. Todos pagam o mesmo valor.

Liminar

Em 26 de janeiro deste ano, a direção da Caixa divulgou comunicado informando aumentos no Saúde Caixa, que entrariam em vigor a partir de 1º de fevereiro. O valor passaria de 2% para 3,46% da remuneração base. Já em relação à coparticipação das despesas assistenciais, o percentual passaria de 20% para 30%, e o valor limite anual subiria de R$ 2.400 para R$ 4.209,05.

O aumento foi suspenso por liminar judicial, expedida no âmbito de uma ação impetrada pela Contraf, Fenae e sindicatos. Nova audiência está marcada para o dia 23 de janeiro. Até lá o reajuste segue suspenso.

Com informações: www.spbancarios.com.br

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