Bancos cortam cinco mil postos de trabalho em 2014

O setor financeiro nacional fechou 5.004 postos de trabalho em 2014 e manteve o alto índice de rotatividade no emprego dos anos anteriores como mecanismo para achatar a média salarial. É o que revela a Pesquisa de Emprego Bancário (PEB), realizada pela Contraf em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos(Dieese) e […]

O setor financeiro nacional fechou 5.004 postos de trabalho em 2014 e manteve o alto índice de rotatividade no emprego dos anos anteriores como mecanismo para achatar a média salarial. É o que revela a Pesquisa de Emprego Bancário (PEB), realizada pela Contraf em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos(Dieese) e divulgada no último dia 26.

Os bancos brasileiros contrataram 32.952 funcionários e desligaram 37.956.O salário médio dos admitidos pelos bancos no ano passado foi de R$ 3.374,99 contra o salário médio de R$ 5.338,12 dos desligados.Assim, os trabalhadores que entraram nos bancos receberam valor médio 37% menor que a remuneração dos que saíram. Ainda de acordo com a pesquisa, os maiores cortes ocorreram em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

“Os dados da pesquisa revelam a importância da pauta contra o fim das demissões imotivadas, tão praticadas pelas instituições financeiras. Os bancos usam a rotatividade como estratégia para achatar os salários. É um desafio atual, devemos lutar enquanto categoria pelo fim das demissões imotivadas. A cada ano os bancos lucram mais, e ainda assim desvalorizam seus trabalhadores com o achatamento salarial”, aponta o coordenador do Sindibancários/ES, Carlos Pereira Araújo, Carlão.

Os números foram obtidos através de dados divulgados pelo Cadastro geral de Empregados e Desempregados (caged) do Ministério do Trabalho e Emprego, que mostram que o Brasil gerou apenas 396.933 novos empregos, um recuo de 64,4% em relação ao ano anterior, considerando todas as categorias. Os trabalhadores e trabalhadoras mais atingidos foram os dos setores da construção civil, indústria e agricultura. Em todos esses segmentos houve o fechamento de 273.011 postos.

Desigualdade entre homens e mulheres

A pesquisa mostra também que as mulheres, ainda que representem metade da categoria e sejam mais escolarizadas, continuam discriminadas pelos bancos na remuneração. Enquanto na admissão a média dos salários dos homens foi de R$ 3.805,74 em 2014, a remuneração das mulheres ficou em R$ 2.921,66, valor que corresponde a apenas 76,8% da média masculina. Já no desligamento, a média dos salários dos homens foi de R$ 6.017,45, enquanto a remuneração das mulheres foi de R$ 4.4522,87. Isso significa que o salário médio das mulheres no desligamento teve uma diferença de 74,1%.

Com informações da Contraf

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