Bancos cortam mais 9.258 empregos em 9 meses

Corte representa aumento de 52% no fechamento de postos de trabalho em relação ao mesmo período de 2015

Para aumentar o lucro, os bancos que atuam no Brasil mantém a política de gestão perversa de corte de empregos. De janeiro a setembro deste ano, foram fechados 9.258 postos de trabalho nos bancos em todo o país, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED). Isso representa um aumento de 52,2% em relação ao número de postos fechados no mesmo período em 2015, quando foram extintos 6.084 postos. O corte também equivale à quase totalidade dos postos fechados em todo o ano passado, que foi de 9.886.

“Os bancos se destacam entre os setores mais lucrativos deste país. No primeiro semestre deste ano, os cincos maiores bancos que atuam no Brasil lucraram, juntos, R$ 29,7 bilhões. Ainda assim, os bancos mantém a política de cortes de empregos, precarizando ainda mais o trabalho bancário e provocando o adoecimento dos trabalhadores. Isso é inaceitável e mostra como a categoria deve permanecer unida e mobilizada, mesmo após o fim da Campanha Salarial, em defesa do emprego bancário. O acordo bianual firmado com os bancos é referente apenas às cláusulas econômicas, o  que significa que podemos sim fazer nossa luta por melhores condições de trabalho, em defesa do emprego, da sáude, pelo fim das metas e em defesa da jornada de seis horas na Campanha Salarial em 2017. Essa é uma pauta fundamental para a categoria”, enfatiza o coordenador geral do Sindibancários/ES, Jonas Freire.

Segundo a pesquisa, São Paulo foi o estado onde ocorreram mais cortes, com 4.383 postos a menos (quase 47,3% do total de postos fechados), seguido pelo Rio de Janeiro, que fechou 1.463 postos (15,8%), o Paraná, com 678 postos extintos (7,3%) e Minas Gerais com menos de 620 postos (6,7% do total). No Espírito Santo o corte foi de 119 empregos.

A análise por setor de atividade econômica mostra que os “Bancos múltiplos, com carteira comercial”, CNAE que engloba grandes instituições como Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, HSBC e Banco do Brasil foram os principais responsáveis pelo saldo negativo.

A análise por Setor de Atividade Econômica revela que os Bancos Múltiplos com Carteira Comercial, categoria que engloba grandes instituições como Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander fecharam 7.302 postos de trabalho (78,9% do total de postos fechados). A Caixa Econômica Federal foi responsável pelo corte de 1.992 postos de trabalho (21,5%).
Motivos dos Desligamentos

A maioria dos desligados foram trabalhadores mais velhos e com mais tempo no emprego. Do total das demissões ocorridas nos bancos, 61% foram sem justa causa, perfazendo 15.480 desligamentos. Os desligamentos a pedido do trabalhador representaram 29% do total e totalizaram 7.224.

Desigualdade entre homens e mulheres

As desigualdades continuam visíveis no setor bancário. As 7.983 mulheres admitidas nos bancos nos primeiros nove meses de 2016 receberam, em média, R$ 3.088,55. Esse valor correspondeu a 71,3% da remuneração média auferida pelos 7.953 homens contratados no mesmo período, que foi de R$ 4.330,67.

No momento do desligamento observou-se, praticamente, a mesma diferença na remuneração entre homens e mulheres. As mulheres que tiveram o vínculo de emprego rompido nos bancos no período recebiam R$ 5.308,58, o que representou 71,2% da remuneração média dos homens desligados dos bancos, que foi de R$ 7.454,50.

Faixa Etária

Os bancários admitidos concentraram-se na faixa etária até 24 anos de idade, com isso o saldo de emprego nessa faixa foi positivo em 3.630 postos. Os desligamentos se concentraram nas faixas etárias superiores a 25 anos e, especialmente, na de 50 a 64 anos, que registrou um corte de 5.745 postos de trabalho (62% do total de postos fechados).

Tempo no Emprego

Entre os 25.194 desligados, a maior parte tinha 10 ou mais anos no emprego (8.838 cortes que correspondem a 35% do total). Outros 5.431 tinham entre 5 e 10 anos no emprego (21,6%). Ou seja, observa-se que o corte dos postos nos bancos se deu principalmente entre aqueles com maior tempo de casa, sendo compatível com o fato de serem os trabalhadores mais velhos.

Confira aqui os gráficos e tabelas da pesquisa.

Com informações da Contraf

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