Bancos fecham 2795 postos de trabalho e Caixa lidera número de cortes

Os bancos que operam no Brasil fecharam 2795 postos de trabalho nos primeiros seis meses deste ano, de acordo com a Pesquisa de Emprego Bancário (PEB), divulgada nesta terça-feira (21), pela Contraf. Somente no Espírito Santo foram 188 postos de trabalho cortados. A Caixa apresentou a maior redução, com o corte de 2058 vagas de […]

Os bancos que operam no Brasil fecharam 2795 postos de trabalho nos primeiros seis meses deste ano, de acordo com a Pesquisa de Emprego Bancário (PEB), divulgada nesta terça-feira (21), pela Contraf. Somente no Espírito Santo foram 188 postos de trabalho cortados. A Caixa apresentou a maior redução, com o corte de 2058 vagas de emprego.

O estudo é feito mensalmente, em parceria com o Dieese, e usa como base os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A Caixa que vinha sustentando a geração de empregos no setor, teve o maior número de cortes principalmente devido ao Plano de Apoio à Aposentadoria (PAA).

A adesão ao PAA reflete como a pressão por metas e o assédio moral têm tornado o ambiente de trabalho na Caixa insustentável, a ponto de muitos bancários optarem pela aposentadoria. Além disso, a Caixa não está contratando bancários para repor essas vagas, mesmo com um cadastro de reserva com candidatos aptos a assumirem. Com isso, os bancários que continuam na ativa sofrem com a sobrecarga de trabalho, uma vez que a demanda de trabalho continua ou até mesmo aumenta”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Lizandre Borges.

Contra o alto número de demissões e por mais contratações, os bancários da Caixa realizam no próximo dia 06 de agosto o Dia Nacional de Luta por Contratação Urgente. Os bancos múltiplos, com carteira comercial, categoria que engloba grandes instituições, como Itaú, Bradesco, Santander, HSBC e Banco do Brasil, eliminaram 729 empregos no período. A pesquisa também revela que o saldo do mês de junho ficou positivo, com a criação de 130 postos de trabalho, mas não foi suficiente para reverter o resultado negativo do semestre.

Corte para reduzir salário

De acordo com o levantamento da Contraf/Dieese, o salário médio dos admitidos pelos bancos foi de R$ 3.457,49, contra R$ 5.957,73 dos desligados. Assim, os trabalhadores que entraram nos bancos receberam valor médio 58% menor que a remuneração dos dispensados.

Além do corte de vagas, a rotatividade continuou alta. Os bancos contrataram 16.905 funcionários e desligaram 19.700 nos primeiros quatro meses, apesar dos altos lucros obtidos.

Desigualdade entre homens e mulheres

A pesquisa mostra também que as mulheres, mesmo representando metade da categoria e tendo maior escolaridade, continuam discriminadas pelos bancos na remuneração.

As 8.150 mulheres admitidas nos bancos no primeiro semestre de 2015 entraram recebendo, em média, R$3.095,21, enquanto os homens, R$ 3.794,74. Média salarial 18,4% inferior à remuneração de contratação dos homens.

A diferença de remuneração entre homens e mulheres é ainda maior no desligamento. Os homens que tiveram o vínculo de emprego rompido recebiam, em média, R$ 6.696,68. Já as mulheres, R$ 5.211,69. Resultando em um salário médio 22,2% menor do que o dos homens.

Trabalho que adoece

Do total de desligamentos, a metade foi por dispensa sem justa causa. Outros 42% foi a pedido do próprio trabalhador e 4% foi por dispensa por justa causa.

“Os dados refletem o grau de pressão e assédio moral presente dentro dos bancos e que têm adoecido os bancários. Como essa forma de gestão está cada vez mais forte e presente nos bancos, públicos e privados, os bancários preferem pedir demissão a continuarem adoecendo. Mesmo porque os bancos não oferecem nenhum tipo de tratamento para esses bancários”, destacou Lizandre.

 

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