Bancos fecham 4.329 empregos em 2013, enquanto Brasil gera 1,1 milhão

O sistema financeiro nacional fechou 4.329 postos de trabalho entre janeiro e dezembro de 2013. O número só não foi ainda maior porque a Caixa Econômica Federal criou 5.486 vagas no mesmo período. A redução de bancários está na contramão da economia brasileira, que gerou 1.117.171 novos empregos no mesmo período. Além dos cortes, os […]

O sistema financeiro nacional fechou 4.329 postos de trabalho entre janeiro e dezembro de 2013. O número só não foi ainda maior porque a Caixa Econômica Federal criou 5.486 vagas no mesmo período. A redução de bancários está na contramão da economia brasileira, que gerou 1.117.171 novos empregos no mesmo período. Além dos cortes, os bancos mantiveram a prática de alta rotatividade de mão de obra para reduzir a folha de pagamento.

Os dados constam na Pesquisa de Emprego Bancário (PEB) divulgada no dia 23 de janeiro pela Contraf-CUT, que faz o estudo em parceria com o Dieese, com base nos números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Segundo o estudo, os bancos brasileiros contrataram 38.563 funcionários entre janeiro e dezembro e desligaram 42.892. Nove estados apresentaram saldos negativos de emprego. Os maiores cortes ocorreram em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde se pode observar maior presença de instituições privadas.

“Mesmo com lucros bilionários, os bancos brasileiros, principalmente os privados e o Banco do Brasil, cortaram postos de trabalho, freando a geração de empregos e renda para o crescimento com desenvolvimento econômico e social do país”, avalia Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT.

O diretor do Sindibancários/ES, Thiago Duda, destaca que as demissões refletem diretamente na queda da qualidade do serviço prestado. “A população está cada vez mais dependente dos bancos, as transações econômicas passam necessariamente por essas instituições. No entanto, a redução de bancários deixa evidente que os bancos não estão preocupados com a qualidade do serviço prestado. A rotatividade de empregados gera, portanto, um atendimento perverso ao público”.

A adoção de novas tecnologias é, muitas vezes, a justificativa para demissões e eliminação de postos de trabalho. Entretanto, é importante destacar que o fluxo de informação e de serviços que passam pelo banco é maior e apresenta uma demanda crescente muito mais veloz que o desenvolvimento tecnológico e o acesso à tecnologia pela população. O alto investimento em novas tecnologias feito pelos bancos intensifica a exploração dos empregados.

O diretor do Sindibancários/ES destaca ainda que o alto índice de fechamento de postos de trabalhos nos bancos tem relação direta com o crescimento dos correspondentes bancários. “Há um incentivo à criação dos correspondentes porque é vantajoso para os bancos, que têm os custos reduzidos. Além disso, há a ilusão de que, com os correspondentes, os serviços bancários estarão disponíveis em regiões onde não há bancos. Mas esses lugares continuam sem acesso às instituições financeiras e os postos com correspondentes bancários estão nos grandes centros, ao lado de um banco. Por isso que essa é mais uma forma de precarização do trabalho.”

Rotatividade diminui salários

A pesquisa mostra que o salário médio dos admitidos pelos bancos entre janeiro e dezembro foi de R$ 2.966,47, contra salário médio de R$ 4.731,57 dos desligados. Ou seja, os trabalhadores que entram no sistema financeiro recebem remuneração 37,3% inferior à dos que saem.

“Para os bancos, diminuir o valor da folha de pagamento é mais negócio do que a perda da qualidade do serviço, uma vez que, junto com os funcionários demitidos ou aposentados por meio de programas de incentivos, descarta-se todo o conhecimento dos procedimentos internos do banco. As demissões e os programas de incentivo à aposentadoria ocorrem em detrimento da garantia da qualidade dos serviços”, avalia o diretor do Sindibancários/ES.

“Com a rotatividade, os bancos mostram que responsabilidade social e sustentabilidade não passam de peças de marketing, pois não estão amparadas na prática das instituições com o emprego e a remuneração dos trabalhadores”, ressalta o presidente da Contraf-CUT.

Maior concentração de renda nos bancos

No Brasil, os 10% mais ricos no país, segundo estudo do Dieese com base no Censo de 2010, têm renda média mensal 39 vezes maior que a dos 10% mais pobres. Ou seja, um brasileiro que está na faixa mais pobre da população teria que reunir tudo o que ganha durante 3,3 anos para chegar à renda média mensal de um integrante do grupo mais rico.

No sistema financeiro, a concentração de renda é ainda maior. No Itaú, por exemplo, cada executivo da diretoria recebeu, em média, R$ 9,05 milhões em 2012, o que representa 191,8 vezes o que ganhou o bancário do piso salarial. No Santander, cada diretor embolsou, em média, R$ 5,62 milhões no mesmo período, o que significa 119,2 vezes o salário do caixa. E no Bradesco, que pagou, em média, R$ 5 milhões no ano para cada diretor, a diferença foi de 106 vezes.

Ou seja, para ganhar a remuneração mensal de um executivo, o caixa do Itaú tem que trabalhar 16 anos, o caixa do Santander 10 anos e o do Bradesco 9 anos.

“Desta forma, os bancos seguem campeões em concentração de renda, dando um péssimo exemplo para a sociedade. Isso explica porque o Brasil está entre os 12 países mais desiguais do mundo. Precisamos combater todas as formas de discriminação, buscando reduzir as desigualdades e avançar na construção de um país mais justo e solidário”, enfatiza o presidente da Contraf-CUT.

Luta pela valorização do trabalho

Cordeiro defende um outro sistema financeiro para os bancários e a sociedade. “Não é possível que os bancos continuem com essa política nociva de reduzir custos e cobrar juros e tarifas abusivas para lucrar ainda mais, sem olhar para o impacto nos trabalhadores, nos clientes e na economia do país”, alerta.

“Este ano, mais do que nunca, precisamos transformar o crescimento em desenvolvimento econômico e social, o que passa por melhoria do salário e mais emprego, como forma de valorizar o trabalho, distribuir renda e avançar na qualidade de vida da população”, conclui o presidente da Contraf-CUT.

Fonte: com informações da Contraf-CUT e Dieese

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