Bancos fecham 6.319 postos de trabalho e reduzem salários

De janeiro a outubro deste ano, os bancos que operam no Brasil fecharam 6.319 postos de trabalho. A Pesquisa do Emprego Bancário (PEB) foi divulgada nessa terça-feira, 24, pela Contraf e revela como as instituições financeiras continuam obtendo altos lucros às custas da exploração dos seus empregados. Somente no Espírito Santo, o corte foi de […]

De janeiro a outubro deste ano, os bancos que operam no Brasil fecharam 6.319 postos de trabalho. A Pesquisa do Emprego Bancário (PEB) foi divulgada nessa terça-feira, 24, pela Contraf e revela como as instituições financeiras continuam obtendo altos lucros às custas da exploração dos seus empregados. Somente no Espírito Santo, o corte foi de 226 vagas.

Elaborado em parceria com o Dieese, o estudo mostra ainda o crescimento da rotatividade dentro dos bancos. Para incrementar os ganhos, as instituições financeiras contratam novos empregados com salário, em média, 56% menor que a remuneração daqueles que foram dispensados. Os bancos contrataram 27.503 funcionários e desligaram 33.822 nos primeiros dez meses.

O estudo é feito com base nos números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e também e deixa explícita a desigualdade entre homens e mulheres nos bancos.

Líderes em cortes

Os bancos múltiplos, com carteira comercial, categoria que engloba grandes instituições, como Itaú, Bradesco, Santander, HSBC e Banco do Brasil, foram os principais responsáveis pelo saldo negativo. Eles eliminaram 3.980 empregos. O número também foi impactado pelos planos de aposentadoria incentivada promovidos pela Caixa e BB. Somente na Caixa foram fechados 2.356 postos.

O corte de empregos e a redução dos salários são as principais estratégias para os bancos aumentarem seus lucros. Mesmo em meio a crise econômica, os cincos maiores bancos do Brasil lucraram juntos no primeiro semestre deste ano R$ 33,6 bilhões, um crescimento de 17,9% em relação ao mesmo período de 2014. Com os cortes, os empregados são submetidos a uma intensa carga de trabalho e acúmulo de funções.

“Neste ano, lutamos pela contratação de mais empregados e os bancos negaram nossa reivindicação. Não houve avanço nem mesmo com os bancos públicos. Essa é uma estratégia cruel dos bancos, que não medem as consequências para aumentarem seus lucros. Com a escassez de empregados e sobrecarga de trabalho, temos cada vez mais bancários adoecidos. O número de trabalhadores diminui, mas as metas impostas são cada vez maiores. Além disso, com poucos funcionários, os clientes são empurrados para os postos de atendimento e lotéricas. A categoria deve continuar mobilizada e unida para barrar esse processo”, destaca o coordenador geral do Sindibancários/ES, Jessé Alvarenga.

A alta rotatividade também é outra estratégia adotada pelos bancos para reduzirem os gastos com pessoal e aumentarem a rentabilidade, como pontua Alvarenga. “Apesar de nos últimos anos, a categoria bancária ter conquistado aumento um pouco acima da inflação, a alta rotatividade tem rebaixado o salário médio dos bancários. E essa é mais uma das fontes dos altos lucros do setor financeiro no Brasil”.

Reduções por estados

No total, 23 estados registraram saldos negativos de emprego. As reduções mais expressivas ocorreram no Rio de Janeiro (-1126), São Paulo (-1088), Rio Grande do Sul (649) e Distrito Federal (-646). Já o Pará, foi o estado com maior saldo positivo, com geração de 132 novos postos de trabalho, seguido pelo Mato Grosso (74).

Desigualdade entre homens e mulheres

A pesquisa mostra também que as mulheres, mesmo representando metade da categoria e tendo maior escolaridade, continuam discriminadas pelos bancos na remuneração. A média dos salários dos homens admitidos pelos bancos foi de R$ 3.855,43 entre janeiro e outubro. Já a remuneração das mulheres ficou em R$ 3.121,93, valor cerca de 23,5% inferior à remuneração de contratação dos homens.

A diferença de remuneração entre homens e mulheres é maior na demissão. As mulheres que tiveram o vínculo de emprego rompido nos bancos entre janeiro e outubro deste ano recebiam R$ 5.376,29, que representou 76,5% da remuneração média dos homens desligados dos bancos, de R$ 7.029,89.

Confira aqui a pesquisa completa.

Com informações da Contraf.

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