Bancos lucram bilhões no 1° semestre e ampliam demissões

Gestão adotada pelos bancos oprime os bancários e precariza o trabalho, com o fechamento de agências e intensificação de demissões

Desempenho dos bancos no primeiro semestre deste ano evidencia mais uma vez que não há crise para banqueiros. Relatório divulgado pelo Dieese, com base no balanço financeiro das instituições, aponta que nesse período o lucro líquido do cincos maiores bancos que atuam no Brasil somou R$ 29,7 bilhões. Apesar do montante ser 18,2% menor que no período de 2015, os bancos continuam com alta rentabilidade e se destacam entre os setores mais lucrativos do Brasil.

A continuidade dos altos lucros são impediu a continuidade de uma gestão adotada pelos bancos, que oprime os bancários e precariza o trabalho, com o fechamento de agências e intensificação do corte de postos de trabalho. Foram mais de 13 mil demissões em relação ao mesmo período de 2015 e, entre junho de 2015 e junho de 2016, Itaú, Bradesco e Banco do Brasil, juntos, fecharam 422 agências bancárias (161,145 e 116, respectivamente).

O número de agências fechadas chegou a 344 nesta terça-feira.

O número de agências fechadas chegou a 344 nesta terça-feira.

“Já foram quatro rodadas de negociação e os bancos continuam se negando a atender as nossas reivindicações. O resultado financeiro das instituições deixa claro que não crise econômica para os banqueiros, que continuam lucrando bilhões, demitindo em massa e precarizando o atendimento ao público. Nossa luta continua, não aceitaremos propostas rebaixadas e exigimos melhores condições de trabalho”, enfatiza o coordenador geral do Sindibancários/ES, Jonas Freire.

Queda nos lucros?

A aparente “queda” no lucro ocorreu devido ao forte provisionamento para devedores duvidosos (PDD) e das despesas com impostos (Imposto de Renda – IR e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL). Em 2015, a alta dos lucros teve forte influência pela ampla utilização dos créditos tributários. Já no primeiro semestre deste ano, isso não ocorreu e impactou diretamente na queda no resultado final.

Prestação de serviços e tarifas X despesas de pessoal

O lucro dos bancos é resultado do trabalho dos bancários e bancárias e da exploração financeira de seus clientes, por meio de altas tarifas de prestação de serviços e juros. No primeiro semestre deste ano, as receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias aumentaram 8,7% e somaram R$ 55 bilhões, com destaque para o Santander e a Caixa que tiveram a maior variação.

Somente com a arrecadação desses valores, os maiores bancos pagam todas as despesas de pessoal, que compreendem os gastos com folha de pagamento (remuneração, PLR, encargos sociais e benefícios), além das despesas com treinamento e processos trabalhistas.  Com essas tarifas é possível não apenas cobrir essas despesas, como sobra recursos, ou seja, com a arrecadação com prestação de serviços e tarifas bancárias cobriu entre cobriu entre 104% (Caixa) e 163% (Itaú).

Líderes em demissões

No ranking de demissões dos bancários, o Bradesco ocupa o primeiro lugar, com o fechamento de 4.478 postos de trabalho, que representam 4,8% do quadro funcional em junho de 2015. Já o Itaú eliminou 2.815 postos de trabalho no período e o  Santander, que no ano anterior aumentou o total de trabalhadores, fechou 1.368 postos no 1º semestre, sendo 1.268, apenas entre março e junho de 2016. A Caixa fechou 2.235 postos e o Banco do Brasil demitiu 2.710 bancários. Nesses dois bancos federais a redução de postos de trabalhos foi resultados da implementação, em 2015, de planos de aposentadoria incentivada.

Ativos

O total de ativos das cinco maiores instituições bancárias do país (Bradesco, Itaú Unibanco, Santander1 , Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal) sofreu alta de 9,1%, totalizando R$ 5,8 trilhões,  em relação ao mesmo período de 2015. Já o patrimônio líquido das instituições financeiras cresceu 4,6%, alcançando aproximadamente, R$ 412,6 bilhões no período.

O Itaú continua sendo o banco com maior lucro líquido: R$ 10,7 bilhões neste primeiro semestre. Em segundo lugar está o Bradesco, com lucro líquido de R$ 8,3 bilhões no mesmo período. Já a Caixa alcançou lucro líquido de R$ 2,4 bilhões, com queda de 29,7% em relação ao mesmo período de 2015, e o Santander obteve lucro líquido de R$ 3,5 bilhões, o único com variação positiva, de 4,8%, em relação a junho de 2015.

O Banco do Brasil apresentou queda de 45,3% no lucro líquido no primeiro semestre deste ano. Mas, de acordo com o estudo elaborado pelo Dieese “tal fato deve ser relativizado, pois no primeiro semestre de 2015, o lucro foi bastante influenciado pelo efeito extraordinário do acordo de associação entre o BB Elo Cartões e a Cielo no segmento de meios de pagamentos eletrônicos”.

Com informações do Dieese

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