Bancos propõem reajuste insuficiente e negociação continua nesta quinta-feira, 23

Bancos querem cortar PLR de gestantes e bancários afastados por adoecimento; outros direitos também estão no pacote de cortes

 

O setor mais lucrativo do país apresentou novamente proposta insuficiente aos seus empregados e com retirada de direitos. Os cinco maiores bancos (BB, Caixa, Itaú, Bradesco e Santander), que somente no primeiro semestre deste ano já ganharam R$ 42 bilhões ou quase 18% mais que em 2017, apresentaram aos bancários um acordo com aumento real de somente 0,5%, e alteração ou exclusão de diversas cláusulas de Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) como o pagamento proporcional, e não mais integral, da PLR das bancárias em licença-maternidade e de afastados por doença ou acidente.

A proposta foi rejeitada na mesa de negociação desta terça-feira, 21, a oitava da Campanha Nacional 2018. A Fenaban pediu um prazo para se reunir com os bancos e, assim, a negociação continua na quinta-feira (23). A Caixa Econômica tem negociação marcada para esta quarta-feira, 22, às 10h. A do  Banco do Brasil também será nesta quarta, às 15h. Os bancários seguem mobilizados em semana de luta por todo o Brasil.

Caso os bancos não apresente uma proposta decente nesta semana, que atenda as reivindicações da categoria, o Comando Nacional irá definir um calendário de luta com a construção de uma greve por tempo indeterminado.

“Não é porque a Convenção Coletiva vence no dia 31 de agosto que vamos abrir mão dos nossos direitos e não vamos fazer greve. A Fenaban adota essa estratégia de enrolação nas negociações justamente para que a gente aceite qualquer acordo.  Mas não vamos recuar. Mesmo diante do risco dos bancos retirarem direitos a partir do dia 31 de agosto, não cederemos a pressão. Precisamos continuar mobilizados para construir uma greve forte, mesmo que se estenda até setembro, e garantir que os bancos atenda nossas reivindicações”, enfatiza o coordenador geral do Sindibancários/ES, Jonas Freire.

Veja mais sobre a proposta dos bancos

  • Retirada do salário substituto (cláusula 5ª);
  • Fim da PLR integral para bancárias em licença-maternidade e afastados por acidente ou doença (esses trabalhadores receberiam PLR proporcional ao período trabalhado);
  • Querem compensar, caso percam na Justiça, as horas extras pagas como gratificação de função conforme a cláusula 11ª da CCT. Esse item não vale para os bancos públicos, que têm Plano de Cargos e Salários (PCS). A proposta foi rejeitada e o Comando quer negociar PCS para todos;
  • Alteração da cláusula do vale-transporte, rejeitada porque ficaria pior do que a lei (cláusula 21ª);
  • Fim da cláusula que proíbe a divulgação de ranking individual (cláusula 37ª);
  • Retirada da cláusula que previa adicional de insalubridade e periculosidade porque está na lei (cláusula 10ª);
  • Querem flexibilizar o horário de almoço de 15 minutos para 30 minutos na jornada de seis horas (exceto para teleatendimento e telemarketing);
  • Fim do vale-cultura (cláusula 69). Comando quer que permaneça para que o direito esteja garantido caso do governo retome o programa;
  • Retirada da cláusula que garantia a homologação de rescisão contratual nos sindicatos;
  • Aqui um avanço: garante o parcelamento do adiantamento de férias em três vezes, a pedido do empregado;
  • Outro avanço: mantém o direito do hipersuficiente à CCT (quem ganha mais de R$ 11.291,60;
  • Mantém o direito ao adiantamento emergencial para quem tem recurso ao INSS por 90 dias. Os bancários querem 120 dias.

Com informações da Contraf

 

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