Bancos reduzem 390 postos de emprego em dois meses

No Espírito Santo, foram 42 postos de trabalho fechados. O elevado número de demissões sem justa causa, que atingiu principalmente trabalhadores com mais de 30 anos, é mais um impacto da reforma trabalhista no setor do trabalho bancário

Em janeiro e fevereiro deste ano, os bancos reduziram 390 postos de emprego em todo o Brasil, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). No Espírito Santo, foram 42 postos de trabalho fechados. No total, foram 4.661 desligamentos contra 4.271 admissões, sendo que apenas no mês de fevereiro, os bancos fecharam mais de 1000 postos de trabalho. As demissões sem justa causa representaram 56,5% do total de desligamentos.

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A análise por Setor de Atividade Econômica revela que os “Bancos múltiplos com carteira comercial”, categoria que engloba bancos como, Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Banco do Brasil, foram responsáveis pelo fechamento de 424 postos nos dois primeiros meses de 2018 e a Caixa Econômica foi responsável pelo fechamento de 13 postos.
Com foco em contratações nas faixas etárias entre 18 e 24 anos, os bancos criaram 1.635 vagas para trabalhadores com até 29 anos. Para a faixa etária acima de 30 anos, todas apresentaram saldo negativo (-2.025 postos, no total), com destaque para a faixa de 50 a 64 anos, com fechamento de 1.043 postos.
“Os bancos, públicos e privados, estão intensificando a política de precarização do trabalho bancário, apesar do crescimento elevado dos seus lucros. Reverter a engrenagem dessa máquina, que tem massacrado a categoria, dependerá da nossa união e mobilização. A Campanha Nacional deste ano é decisiva para garantir o padrão de contratação e nossos direitos”, enfatiza o diretor do Sindibancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão).

Primeiros reflexos da reforma trabalhista nos dados do CAGED

O elevado número de demissões sem justa causa, que atingiu principalmente trabalhadores com mais de 30 anos, é mais um impacto da reforma trabalhista no setor do trabalho bancário. As saídas a pedido do trabalhador representaram 34,9% dos tipos de desligamento.
Nesse período foram registrados, ainda, oito casos de demissão por acordo entre empregado e empregador. Essa modalidade de demissão foi criada com a aprovação da Lei 13.467/2017, a reforma trabalhista, em vigência desde novembro de 2017. Os empregados que saíram do emprego nessa modalidade apresentaram remuneração média de R$2.800,38, bastante inferior à média (R$ 6.512,12).

Desigualdade entre Homens e Mulheres

As 2.078 mulheres admitidas nos bancos entre janeiro e fevereiro de 2018 receberam, em média, R$ 3.378,25. Esse valor corresponde a 74,9% da remuneração média auferida pelos 2.193 homens contratados no período. Constata-se a diferença de remuneração entre homens e mulheres também nos desligamentos. As 2.263 mulheres desligadas dos bancos recebiam, em média, R$ 5.573,07, o que representou 78,0% da remuneração média dos 2.398 homens desligados dos bancos no período.
“A diferença salarial ocorre porque os bancos dão preferência para os homens na hora de assumir postos de trabalho mais bem remunerados, como os de chefia. Isso mostra a discriminação de gênero que existe no sistema financeiro, já que as mulheres têm qualificação suficiente para também ocupar esses cargos”, diz a diretora do Sindibancários Evelyn Flores.
Com informações da Contraf

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