Bancos se negam a discutir melhores condições de trabalho

Na primeira rodada de negociações da Campanha Nacional 2014, realizada nesta terça e quarta-feira, 19 e 20, em São Paulo, os bancos frustraram as expectativas sobre o debate de saúde e condições de trabalho. A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) se negou a discutir a forma de gestão das instituições financeiras, principalmente no que se […]

Na primeira rodada de negociações da Campanha Nacional 2014, realizada nesta terça e quarta-feira, 19 e 20, em São Paulo, os bancos frustraram as expectativas sobre o debate de saúde e condições de trabalho. A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) se negou a discutir a forma de gestão das instituições financeiras, principalmente no que se refere às metas e ao assédio moral, dois dos principais problemas enfrentados pela categoria.

A saúde e as condições de trabalho são prioridades definidas pela 16ª Conferência Nacional dos Bancários. Pesquisas do Dieese e consultas dos sindicatos mostram o crescimento elevado do número de trabalhadores adoecidos, como destaca o coordenador geral do Sindibancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), que integra o Comando Nacional de Negociações. “A Fenaban alega que não pode interferir na gestão dos bancos, mas esse é um problema dos bancários e dos sindicatos e não vamos abrir mão de discutir e defender o fim das metas e do assédio moral. A forma de gestão dos bancos gera um ambiente adoecedor, além de ferir os princípios constitucionais, pois não promove a dignidade humana. Somente por meio da mobilização dos bancários, com participação e construção da greve, se necessário, vamos conseguir pressionar a Fenaban a interferir na gestão dos bancos”, ressalta.

Trabalho que adoece

O Comando apresentou aos representantes dos bancos os números do INSS mostrando que 18.671 bancários doentes foram afastados do trabalho em 2013, o que representa um crescimento de 41% em relação aos últimos cinco anos.

As doenças mentais já superam os casos de LER/Dort (Lesões por Esforços Repetitivos/Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho). Do total de auxílios-doença acidentários registrados pelo INSS no ano passado, 52,7% tiveram como causas principais os transtornos mentais e do sistema nervoso.

Isso significa dizer que, de cada dez bancários doentes, cinco são por depressão. Ao comparar os dados de 2009 até 2013, os casos de doenças do sistema nervoso e transtornos mentais e comportamentais cresceram 64,28%, saltando de 3.466 para 5.694.

Organização do trabalho

O Comando defendeu que as metas fazem parte da organização do trabalho e que, portanto, pelas convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o trabalhador tem o direito de discuti-las, uma vez que geram impacto na saúde.

Os negociadores dos bancos responderam que a definição de metas faz parte da gestão de cada banco, não cabendo interferência dos trabalhadores. E questionaram os números sobre afastamentos por doenças na categoria, insinuando que estaria havendo fraude por parte dos bancários.

“A cada ano cresce o número de bancários e bancárias adoecidos, e os dados do INSS deixam isso evidente. Os casos de afastamento e de trabalhadores que utilizam remédios contra a depressão devido ao estresse do trabalho não é algo localizado em um ou outro banco, é generalizado, resultado do modelo de gestão adotado pelos bancos”, enfatiza Carlão.

O debate sobre metas abusivas e assédio moral continuará após o próximo dia 25, quando ocorrerá uma reunião do Grupo de Trabalho sobre Adoecimentos, onde os bancos ficaram de apresentar dados sobre os afastamentos por doenças.

Isonomia de direitos para afastados

O Comando defendeu também a isonomia de tratamento e de direitos para os bancários afastados do trabalho por acidente de trabalho e motivo de saúde. Hoje quem se afasta possui menos direitos, como apenas seis meses de cesta-alimentação e suspensão do pagamento da PLR.

“Durante a negociação desta quarta-feira a Fenaban não se posicionou diante das reivindicações do trabalhadores e trabalhadoras, alegando que terão que discutir entre eles o assunto. Diante disso, conclui-se que o que vai garantir avanço nas questões de saúde e condições de trabalho é a capacidade de pressão e organização da categoria. O Sindicato dos Bancários/ES acredita que deve ser feita uma greve mais longa, um enfrentamento de longo prazo, mais consistente”, afirma Carlão.

Calendário de negociações

Durante a primeira rodada foi definido também o calendário das próximas negociações com os bancos. Confira!

Agosto

Dia 27 – 10h às 18h: Igualdade de Oportunidades e Segurança Bancária
Dia 28- 8h30 às 13h: Igualdade de Oportunidades e Segurança Bancária

Setembro

Dia 3- 13h às 18h: Emprego e Remuneração (PCS e piso)
Dia 4- 10h às 18h: Emprego e Remuneração (PCS e piso)
Dia 10- 13h às 18h: Remuneração (índice, PLR e auxílios)
Dia 11- 10h às 18h: Remuneração (índice, PLR e auxílios)

Com informações da Contraf

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