Banestes atinge maior lucro da história: R$ 181 milhões em 2018

"O lucro pode ser importante, mas a que custo?", questiona o coordenador geral do Sindibancários/ES, Jonas Freire, que denuncia os problemas de condições de trabalho enfrentado pelos empregados

O Banestes superou o recorde anterior e atingiu lucro líquido de R$ 181 milhões em 2018, 3,3% a mais do que em relação ao ano de 2017. O resultado é o maior da série histórica da Instituição, que completou 81 anos em outubro.

Para o Sindicato, o dado reforça a credibilidade do Banestes como banco público do Estado, mas também acende um alerta quanto à gestão do banco e sua relação com o mercado, especialmente no que diz respeito às condições de trabalho.

“O lucro pode ser importante, mas a que custo? Temos que nos impor essa pergunta, porque hoje o Banestes amarga condições de trabalho muito ruins. Faltam funcionários em quase todas as unidades de trabalho e o nível de cobrança agrava o adoecimento da categoria. Esse não é um resultado fácil de ser conseguido, até porque a crise econômica é aguda, e o recorde de lucro só demonstra como os bancários são exigidos. Cabe, inclusive, garantir a valorização desses empregados”, diz Jonas Freire, coordenador geral do Sindicato.

Ainda sobre a falta de funcionários, Jonas critica a ausência de contratações provenientes do último concurso, cujo resultado foi divulgado em julho de 2018.

“Temos cobrado desde o ano passado a convocação dos concursados para completar o quadro de funcionários, mas a resposta do banco é o silêncio. Até hoje nenhum aprovado foi convocado. Enquanto isso, o banco mantém um alto número de estagiários, que têm condições salariais e de trabalho piores que as dos empregados. Isso nos preocupa porque o banco mantém uma política de empregos precários, disfarçados de contratos de estágio”, denuncia Jonas.

“O banco precisa pensar no lucro, mas também se preocupar com os seus empregados, que são quem efetivamente produzem esses resultados. A política do banco não pode permanecer como está. A espinha dorsal do Banestes é o seu capital humano, seus funcionários”, conclui o coordenador geral do Sindibancários/ES.

Balanço financeiro

Ao final de dezembro de 2018, o Patrimônio Líquido do Banestes alcançou R$ 1,5 bilhão, sendo 7,1% superior ao mesmo período de 2017 e 3,6% acima do patrimônio líquido do trimestre anterior.

As ações do banco também valorizaram, alcançando ganho de 39,5% do período correspondente a 02 de janeiro 2018 a 18 de fevereiro de 2019.

O Resultado Operacional foi de R$ 335 milhões, expandindo 15,6% no mesmo comparativo. Foram destinados aos acionistas o valor de R$ 88 milhões a título de juros sobre capital próprio, representando a distribuição de 48,7% do lucro líquido do ano. A receita somou R$ 2,7 bilhões.

A Carteira de Crédito Ampliada atingiu saldo de R$ 5,9 bilhões, crescimento de 2,7% quando comparado a 2017. As maiores evoluções do trimestre, em comparação ao mesmo trimestre de 2017, foram registradas pelas concessões na modalidade de empréstimos (+7,7%), com operações de cartão de crédito (+24,9%) e pelos financiamentos imobiliários (+18,9%).

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