Sindibancários fecha agências em protesto contra demissões e assédio moral

Agências Central e de Jardim Camburi estão fechadas durante toda esta quarta-feira, dia 09

Diretores distribuem folheto na agência de Jardim Camburi sobre reestruturação e consequências para bancários e clientes

O Sindibancários paralisa nesta quarta-feira, dia 09, as agências Central e Jardim Camburi, em Vitória, em protesto contra as demissões, transferências arbitrárias e os descomissionamentos que vêm acontecendo no Banestes. O Sindicato cobra melhores condições de trabalho e contratação urgente para repor o quadro de empregados. As agências ficarão fechadas ao longo de todo o dia.

 “Estamos na luta contra demissões, assédio moral e os abusos que as diretorias do Banestes vêm cometendo contra os trabalhadores e clientes do banco. Muitas unidades estão com o quadro de funcionários incompleto, com gerentes cumprindo o papel de caixa e acumulando outras funções. O banco só demite e não faz a reposição de pessoal, está ficando insustentável”, denuncia Júlio Passos, diretor do Sindicato.

Nos últimos meses, o Banestes intensificou sua política de demissões de funcionários de nível gerencial e caixas aposentados pelo INSS. Além de liberar os que já haviam solicitado demissão, a direção do banco está forçando o desligamento de novos empregados por meio de descomissionamentos e transferências arbitrárias.

“É uma forma de pressionar os bancários a pedirem demissão. Não há justificativa para o corte de funções ou para as transferências”, explica Jonas Freire, coordenador geral do Sindicato.

De janeiro a julho ocorreram 72 desligamentos e outros 29 foram anunciados na última segunda-feira, 08, totalizando 101 demissões só em 2017. Com menos bancários, a carência de pessoal e a sobrecarga de trabalho nas agências se agravaram.

Concurso público

Mesmo com a falta de empregados o banco se recusa a fazer contratações em quantidade suficiente. O prazo do último concurso, realizado em 2015, termina no dia 18 de agosto, ou seja, o banco tem pouco mais de uma semana para garantir a convocação dos aprovados.

Com a redução de funcionários, a política do banco é afastar a clientela das agências direcionando-a para correspondentes bancários, onde o atendimento é mais precário e inseguro.  Muitos bancários estão sendo obrigados a trabalhar nas salas de autoatendimento para fazer o encaminhamento dos clientes para o Banesfácil ou outros pontos terceirizados. Enquanto isso, a diretoria implantou para os caixas metas individuais de redução de atendimento.

“O Banestes é um banco público, deveria ter como princípio garantir o acesso de toda a população a serviços bancários com qualidade. As instituições financeiras não podem apenas lucrar com a cobrança de tarifas e juros sem se comprometer com a população”, critica Jessé Alvarenga, diretor do Sindibancários/ES.

Como parte da reestruturação o Banestes também está fechando unidades que considera menos lucrativas, como aconteceu com o posto de Piaçu, em Muniz freire.  A agência de São Torquato, em Vila Velha, também foi ameaçada de fechamento em janeiro, mas os moradores protestaram e garantiram a sua manutenção como posto de atendimento. Após muita mobilização a comunidade de Barra do Riacho, em Aracruz, também conseguiu reverter o fechamento da unidade local em maio deste ano.

Nos postos do Banestes que funcionam no Hospital da Polícia Militar (HPM) e na sede da Rede Gazeta, em Vitória, os caixas foram retirados, limitando ainda mais o atendimento e forçando a busca por correspondentes bancários.

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