Banescaixa: banestianos protestam por melhorias no plano de saúde

O ato reuniu empregados da ativa e aposentados. Eles cobraram a abertura de negociação imediata com o banco para debater os problemas do plano de saúde

De branco, bancários e bancárias do Banestes lotaram o pátio de entrada do Palas Center na manhã desta quarta-feira, 27. O objetivo era passar uma mensagem direta à diretoria do banco: “Queremos negociação imediata sobre a Banescaixa”, como disse coordenador geral do Sindibancários/ES, Jonas Freire.

O ato reuniu empregados da ativa e aposentados que se uniram para cobrar melhorias no plano de saúde e a sustentabilidade da Caixa de Assistência. Entre as reivindicações estão a volta da contribuição por percentual, em substituição à cobrança por faixa etária estabelecida em 2009; a manutenção do aporte do banco para o pagamento das despesas administrativas, e a redução da parcela fixa da coparticipação, que sofrerá o segundo reajuste do ano, passando de R$ 85 para R$ 461 em dezembro, um aumento de 542%.

Ao fim do ato, encerrado por volta das 10 horas, os bancários deram as mãos num ato simbólico de unidade e de proteção em torno da Banescaixa e soltaram balões brancos para marcar a luta pela saúde dos empregados.

Defesa da contribuição por percentual

O Sindicato criticou a suspensão do aporte do banco, mas destacou que só com a mudança na forma de contribuição será possível garantir a saúde financeira da Banescaixa e tornar o plano mais solidário e justo. “Aquilo que se agravava ano a ano, hoje vem piorando mês a mês. Nós não podemos mais esperar. Temos que cobrar o aporte do banco, mas sabemos que ele não resolve o problema do plano, a gente tem que alterar a forma de contribuição para que o plano volte a ser solidário”.

Jonas também falou da situação dos aposentados, que com a mudança da forma de pagamento deixaram de receber a contribuição do banco e tiveram que arcar integralmente com os custos do plano de saúde.

“O banco tirou o direito do aposentado. Você aposenta e acaba indo para a lata de lixo porque não aguenta pagar o plano. Não há salário de aposentado que consiga pagar a sua mensalidade e a de um dependente. A gente tem que ter respeito por quem aposenta. Nós passamos trinta e cinco anos trabalhando nesse banco, doamos a nossa vida. Quem construiu essa empresa fomos nós, por isso a gente merece mais dignidade”.

Maria José Marcondes, presidente da Banespar, também criticou a relação do banco com os aposentados e defendeu o direito desses empregados a uma saúde digna. “Quando os bancários se aposentam no Banestes, é como se recebessem uma penalidade, que é pagar o plano de saúde integralmente, sozinhos. Aqueles que ainda conseguem pagar, porque a maioria está ficando sem plano de saúde e indo para os postos públicos de atendimento. O aposentado fica abandonado pelo Banestes, depois que aposenta o empregado não vale mais nada para o banco. Temos que cobrar respeito e mudar essa realidade”.

Mudanças no plano reforçam risco de privatização

O Sindicato também alertou que o esvaziamento da Banescaixa pode estar relacionado a uma estratégia de privatização do Banestes. “Talvez retirar a contribuição para o plano e acabar com ele torne mais fácil vender o banco, e a gente tem que estar atento a isso. Esse plano é uma conquista que estão retirando”, disse Jonas.

A preocupação não é aleatória. Todos os bancos que passaram por processos de privatização fizeram mudanças em planos de benefícios de trabalhadores, sempre desresponsabilizando a instituição financeira de sua contribuição para reduzir o provisionamento de recursos tradicionalmente destinado a esses benefícios.

Comissão

Jessé Alvarenga, diretor do Sindicato,  lembrou que o Acordo Coletivo de Trabalho do Banestes prevê uma mesa de negociação permanente sobre a Banescaixa, cláusula que vem sendo descumprida pelo banco.  Uma comissão composta por representantes do Sindicato, da Banespar e pelo representante dos empregados na Fundação foi indicada para acompanhar as negociações e o Sindicato já solicitou, via ofício, o agendamento de reunião.

“Se não nos unirmos, o plano vai ficar impagável e será extinto. Por isso precisamos de todos em defesa da Banescaixa. Enquanto o banco aperta nas unidades de trabalho para que as metas sejam alcançadas, os bancários adoecem. E não teremos sequer um plano de saúde para cuidar desse adoecimento. Se não nos mobilizarmos, todos os custos do plano serão jogados nas costas dos bancários aposentados e da ativa”, falou Jessé, sobre a necessidade de união da categoria em torno da pauta.

Eleição direta para o Conselho

Os bancários também cobram eleição direta para o representante dos empregados no Conselho da Banescaixa, uma conquista do ACT 2015-2018. Hoje o Conselho é composto por membros indicados pelo banco, pela Banespar, além dos representantes dos trabalhadores do Conselho Deliberativo da Baneses e do Conselho de Administração, que ocupam a função no Conselho da Banescaixa automaticamente. Não há, no entanto, um representante eleito exclusivamente para acompanhar a pauta da Banescaixa, fazendo as conexões com a categoria.

 

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