Banqueiros frustram expectativa e não apresentam proposta de reajuste

Ao contrário do que se esperava, a Federação Nacional dos Bancos não apresentou na rodada de negociação desta quarta-feira, 16, proposta econômica para a Campanha Salarial 2015. Essa foi a quarta reunião de negociação com o Comando Nacional dos Bancários e entraram em pauta as reivindicações relativas à remuneração, como reajuste salarial de 16% (incluindo […]

Ao contrário do que se esperava, a Federação Nacional dos Bancos não apresentou na rodada de negociação desta quarta-feira, 16, proposta econômica para a Campanha Salarial 2015. Essa foi a quarta reunião de negociação com o Comando Nacional dos Bancários e entraram em pauta as reivindicações relativas à remuneração, como reajuste salarial de 16% (incluindo reposição da inflação mais 5,7%), PLR de três salários mais R$7.246,82 e piso de R$3.299,66. O banco não falou em valores, apenas postergou o debate para o dia 25 de setembro.

Na terça-feira, 15, o adoecimento dos bancários foi o destaque da rodada extra de negociação. Os bancos reconheceram que os bancários estão adoecendo e propuseram estudar medidas, mas não apresentaram propostas concretas. “Essa tem sido a prática dos banqueiros: protelar os debates, não apresentar propostas e negar as reivindicações dos trabalhadores. Por isso temos que intensificar a mobilização”, avalia o coordenador geral do Sindicato e representante da Intersindical no Comando Nacional dos Bancários, Jessé Alvarenga.

O Comando Nacional se reuniu ainda na noite de ontem em São Paulo para avaliar esse primeiro ciclo de negociações e indicar os próximos encaminhamentos da Campanha Salarial.  “Os bancários devem se preparar para uma greve forte. Somente a união da categoria vamos conseguir pressionar os banqueiros a atenderem nossas reivindicações. Não existe crise para os bancos, pelo contrário. Até o dia 25 temos que manter nossa mobilização forte”, enfatiza Alvarenga. 

Somente no primeiro semestre deste ano, os cinco maiores bancos que operam no País (Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa) lucraram R$36,3 bilhões. Um crescimento de 27,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Mas os negociadores dos bancos tentaram usar a retração econômica do País para justificar a falta de propostas, com a alegação de que este é um ano atípico.

Nas negociações dessa quarta-feira foram debatidas as seguintes reivindicações:

Reajuste de 16%

O reajuste de 16%, reivindicado pelos bancários, inclui reposição da inflação mais 5,7% de aumento real. O Comando alertou, durante a negociação com a Fenaban, que não aceitará retrocessos.

PLR

Estudos do Dieese apontam que quanto maior o lucro do banco, menor tende a ser o percentual de distribuição na forma de Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Os percentuais do Bradesco e do Itaú, por exemplo, foram 6,70% e 5,40%, respectivamente, sobre o lucro líquido de 2014, mas já chegaram a pagar 14% em 1995, quando os bancários começaram a negociar a PLR.

Diante deste quadro desproporcional, a categoria está reivindicando PLR de três salários mais parcela fixa de R$7.246,82. Na hipótese de prejuízo, os trabalhadores querem a garantia do pagamento de um salário mínimo do Dieese, referente ao mês de divulgação do balanço.

Os bancos sinalizaram para a manutenção das regras do ano passado com correção, mas ficou de apresentar um pacote global.

14º salário

Como valorização do trabalhado executado pelos bancários, os dirigentes sindicais reivindicaram o pagamento do 14º salário a todos o empregados, inclusive aos afastados e aos que tiveram o contrato de trabalho rescindido. A Fenaban disse não. Argumentou que não há justificativa para mais uma remuneração fixa e que a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) já conta com muitos benefícios.

Salário de ingresso

O Comando Nacional também quer garantir o piso inicial, no setor bancário, de R$3.299,66. O valor é equivalente ao salário mínimo indicado pelo Dieese, como essencial para a sobrevivência do trabalhador. A minuta da categoria também propõe o salário inicial de R$4.454,54 para caixas e operadores de atendimento e a criação dos pisos de R$ 5.609,42 para primeiro comissionado e de R$ 7.424,24 para primeiro gerente. Mas também não houve propostas por parte dos banqueiros.

Parcelamento de adiantamento de férias

Os dirigentes sindicais também defenderam a proposta da categoria de que os trabalhadores, por ocasião das férias, possam requerer que a devolução do adiantamento feito pelo banco seja efetuada em até dez parcelas iguais e sem juros, a partir do mês subsequente ao do crédito. Vários bancos já concedem essa vantagem aos bancários. Os banqueiros ficaram de discutir entre os bancos, para responder posteriormente.

Reajuste dos auxílios

Outra reivindicação é o aumento no valor dos vales alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá para R$788,00 ao mês, para cada, correspondendo ao valor do salário mínimo nacional vigente. Os banqueiros, mais uma vez, ficaram de responder futuramente às reivindicações.

Auxílio Educacional

Os bancários ainda solicitaram que as despesas com ensino médio, graduação e pós-graduação sejam custeadas integralmente pelos bancos. Atualmente, o auxílio educacional é estabelecido conforme critério de cada instituição bancária. Nesta clausula, não houve consenso entre os bancos e, conseqüentemente, não houve acordo.

15 minutos

O debate sobre os 15 minutos de pausa para mulheres antecedendo a jornada extraordinária também foi realizado nesta quarta. Foram feitas as explicações do súbito cumprimento da lei, por parte dos bancos, e do que poderia ser feito para modificar este procedimento. Foi combinado uma pausa no debate enquanto o assunto tramita no STF.

Calendário de negociações

Fenaban

Dia 25/9

Banco do Brasil

18/9 – Remuneração e Plano de Carreira

Caixa Econômica Federal

18 /9 – Contratações, Condições das agências e Jornada de Trabalho

Itaú

23/9 – Emprego

Banco do Nordeste

17 e 18/9 – Igualdade de Oportunidades

Com informações da Contraf.

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