BB completa 100 anos no Espírito Santo e sofre com desmonte

O banco sofreu uma das mais severas reestruturações dos últimos anos, que reduziu fortemente a presença do BB no ES, com fechamento de agências e redução de postos de trabalho

Bancários e clientes se uniram em protesto contra o fechamento da agência Rio Branco, em Vitória

O Banco do Brasil no Espírito Santo completa 100 anos neste mês de abril e na noite desta quarta-feira, 19, será homenageado em uma sessão solene na Assembleia Legislativa. Mas bancários e clientes capixabas têm poucos motivos para comemorar a data. Desde 2015, o BB passa um dos processos mais severos de reestruturação da sua história, que resultou no fechamento de duas agências e da Gerência Regional de Apoio ao Comércio Exterior (Gecex), estratégica para um Estado exportador como o Espírito Santo.

Todas as medidas de reestruturação foram executadas sob protestos de clientes e bancários. Em Vitória foram fechadas as agências da Avenida Rio Branco, que possuía 6.200 contas de Pessoa Física (PF) e 1500 de Pessoa Jurídica (PJ), e a do Parque Moscoso, que atendia 11 mil contas de PF e 850 de PJ. A reestruturação também atingiu as agências Expedito Garcia, em Cariacica, e Jardim Limoeiro, na Serra, que foram transformadas em Postos de Atendimento.

Além disso, nos últimos anos as condições de trabalho no BB são cada vez piores. Bancários e bancárias sofrem com o aumento da pressão para o cumprimento de metas e, em muitas unidades, são obrigados a continuarem trabalhando em precárias condições, sem ar condicionado e com superlotação de clientes. O fechamento de agências resultou na redução de 60 postos de trabalho no Estado e no aumento da sobrecarga de trabalho dos bancários das agências que receberam esse alto volume de clientes, oriundos das unidades fechadas.

“O BB tem uma forte presença no Espírito Santo e contribuiu muito com o desenvolvimento do Estado ao longo deste um século. Mas o que estamos vivenciando nos últimos anos é um ataque ao BB, com propósito claro de promover o desmonte de uma das instituições públicas mais fortes desse país. A reestruturação prejudicou severamente os bancários e clientes. Não podemos aceitar o avanço dessas medidas”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Goretti Barone.

Além dessa drástica redução da presença do banco no Estado, com a aprovação do PL 13.429/17, que libera a terceirização de todas as atividades de uma empresa, a direção do BB já se organiza para ampliar o quadro de terceirizados no banco, precarizando ainda mais as condições de trabalho dos seus empregados. Os pontos “positivos” da lei foram apresentados no último dia 11 de abril pela Diretoria Estratégica e Organização em reunião do Conselho Diretor.

“Esses são sinais claros de que está sendo colocado em prática o projeto de venda do patrimônio público dos brasileiros. A terceirização coloca em risco o emprego de milhares de bancários e bancárias da instituição. Precisamos da união e mobilização de toda a categoria para barrar mais essa ofensiva contra os trabalhadores, exigindo a contratação de empregados via concurso público, e não de terceirizados. ”, destaca Goretti.

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