BB cresce em lucro mas corta 15 mil postos de trabalho desde 2012

O Banco do Brasil cresceu em lucro, mas encerrou o mês de setembro de 2017 com 99.305 empregados, com fechamento de 9.854 postos de trabalho em relação a 30 de setembro de 2016.

Atualizado em 16/11/2017

O Banco do Brasil obteve um Lucro Líquido ajustado de R$ 7,9 bilhões nos nove primeiros meses de 2017, um crescimento de 45,1% em doze meses e 15,9% no trimestre, comparados aos nove meses do ano anterior. A análise foi feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) a partir do balanço do terceiro trimestre de 2017, apresentado pelo banco na última quarta-feira, dia 8.

De acordo com o relatório do banco, o resultado foi impactado principalmente pelo aumento das rendas de tarifas e redução da despesa de provisão. O retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio Anualizado (ROE) ficou em 10,4%, com alta de 2,8 pontos percentuais, no período.

Uma análise feita pelo Dieese aponta que o BB quase dobrou de tamanho entre 2008 e 2014 (crescimento dos ativos de 97%). Contudo, a partir de então apresentou queda de 16% até junho de 2017. Quanto as operações de crédito, a carteira do BB triplicou de tamanho entre 2008 e 2014, passando de R$ 319 bilhões para R$ 963 bilhões (alta de 202%). Porém, a partir de então, só se reduziu, chegando a R$ 677 bilhões em setembro de 2017 (queda de 29,7%).

“Essa retração na carteira de crédito comprova que o banco está reduzindo a sua atuação, que há uma política de esvaziamento no se papel público – uma vez que o crédito é um dos agentes do crescimento -, abrindo espaço para a iniciativa privada. Essa redução do papel do banco vem junto com a redução do número de agências e o corte de funcionários”, analisa Goretti Barone, diretora do Sindibancários/ES.

As operações com pessoas físicas mantiveram-se estáveis em doze meses, com ligeiro crescimento no trimestre (0,9%), chegando a R$ 187,2 bilhões. Mas, as operações com pessoas jurídicas tiveram uma queda de 13,5% em doze meses e de 2,6% no trimestre, tendo alcançado R$ 228 bilhões. As operações com o agronegócio também se mantiveram estáveis em doze meses (crescimento de 0,8%), mas, no trimestre houve queda de 3,9%, somando R$ 180,3 bilhões. O Índice de Inadimplência superior a 90 dias apresentou alta de 0,44 pontos percentuais no período, ficando em 3,94%. As despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa (PDD) caíram 5%, totalizando R$ 19,7 bilhões.

 

Demissões

A receita com prestação de serviços e a renda das tarifas bancárias cresceram 9,9% no período, totalizando R$ 19,2 bilhões. As despesas de pessoal, considerando a PLR, caíram 3,1%, atingindo R$ 16,5 bilhões. Portanto, a cobertura dessas despesas pelas receitas secundárias do banco foi de 116,7%.

A holding encerrou setembro de 2017 com 99.305 empregados, com fechamento de 9.854 postos de trabalho em relação a 30 de setembro de 2016. O expressivo fechamento de postos de trabalho se deve à adesão de mais de 9,4 mil trabalhadores ao Plano Extraordinário de Aposentadoria Incentivada (PEAI), anunciado em novembro de 2016. De lá pra cá, o número de agências se reduziu em 559 unidades, em virtude do plano de reorganização institucional, que previa, no decorrer de 2017, o fechamento de 402 agências, com outras 379 tornando-se postos de atendimento. Não há no relatório, porém, menção ao número de Postos de Atendimento Bancário (PABs), mas, verifica-se que a rede própria do banco foi reduzida em 2.007 pontos de atendimento, número que inclui toda a rede de atendimento (agências, PABs, postos de atendimento eletrônico – PAEs e demais formas de atendimento).

Com informações da Contraf

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