BB defende terceirização em reunião do Conselho de Administração

Entre os pontos apresentados como positivos pelo banco estão a legalização da terceirização para todas as atividades e a possibilidade de “quarteirização”

A Diretoria Estratégica e de Organização do Banco do Brasil fez uma análise do PL 13.429/17, que aprova a terceirização nas atividades fim, destacando os pontos que ela considera positivos. A análise foi feita no dia 11 de abril durante a reunião do Conselho Gestor. O PL foi aprovado no dia 22 de março e sancionado pelo presidente ilegítimo Michel Temer (PMDB) no dia 31 do mesmo mês.

Segundo informações do Sindicato dos Bancários de São Paulo, entre os pontos apresentados como positivos pelo BB estão a legalização da terceirização para todas as atividades e a possibilidade de “quarteirização”, permitindo que uma empresa terceirizada contrate serviços de outra para atender a demanda da contratante inicial, além de ganhos de eficiência com a redução de custos e a possibilidade de subcontratação.

“O ocorrido mostra que o BB quer aproveitar a aprovação da lei da terceirização para ampliar o número de terceirizados no Banco. A terceirização coloca em risco o emprego de milhares de bancários e bancárias. Porém, não é uma ofensiva somente contra esses trabalhadores e trabalhadoras, mas contra o Banco e a sociedade brasileira. É uma forma de precarizar ainda mais as condições de trabalho e o atendimento à população, abrindo caminho para a privatização. A luta da categoria bancária deve ser junto à sociedade, para barrar o desmonte do BB por meio da terceirização irrestrita e outras iniciativas e fazer com que o Banco continue a cumprir sua função social, contribuindo para o desenvolvimento do país”, diz a diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Goretti Barone.

A Diretoria Estratégica e de Organização do BB também traçou um panorama global das relações de trabalho, abordando também o emprego nas chamadas cadeias globais de valores, nas quais empresas transferem suas atividades para outros países. Ao exemplificar essa modalidade de contratação, a apresentação cita a American Express, que utiliza serviços de oito mil trabalhadores da Índia e Filipinas.

A instituição financeira também falou dos riscos: o fato dos trabalhadores e trabalhadoras estarem sujeitos à queda do piso salarial, aumento da jornada de trabalho e elevação da incidência de doenças relacionadas ao esforço repetitivo. Já em relação aos riscos para as empresas, a instituição destaca: a possibilidade do terceirizado provar vínculo com a contratante; a Justiça do Trabalho exigir que a remuneração do terceirizado seja equivalente à recebida pelos concursados que exercem a mesma função; o não pagamento dos direitos trabalhistas e responsabilização da empresa que contratou o serviço terceirizado.

“Nos riscos apresentados pelo BB para a instituição financeira fica claro que o receio do banco está na possibilidade dos trabalhadores e trabalhadoras buscarem seus direitos na Justiça do Trabalho, terem ganho de causa, fazendo com que o BB seja obrigado, por exemplo, a igualar o salário do terceirizado ao do concursado que exerce a mesma função. Isso demonstra que o banco tem consciência da situação de exploração do trabalhador terceirizado”, diz Goretti.

Com informações do Sindicato dos Bancários de São Paulo

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