BB joga pesado para aprovar sua proposta para a CASSI

O discurso do banco para aprovar imediatamente essa reforma estatutária está repleto de lacunas e pontos obscuros que requerem atenção e questionamentos dos funcionários. Quais são os interesses do BB na aprovação às pressas dessas alterações estatutárias que o fazem investir tanto?

A direção do Banco do Brasil está jogando pesado para aprovar a sua proposta de reforma do estatuto da CASSI. Durante toda a semana, funcionários do BB foram surpreendidos com reuniões e mensagens fazendo pressão para que votem sim na proposta apresentada pelo banco que prevê uma série de alterações no estatuto da Caixa de Assistência.

Além da pressão direta aos funcionários, o BB, através da direção da CASSI, também está tentando intimidar as entidades representativas dos bancários que se posicionaram publicamente contra a proposta. ANABB e Contraf receberam notificação extrajudicial onde a direção da CASSI solicita que se abstenham de publicar supostas informações “equivocadas ou distorcidas” sobre a proposta do BB.

Assim como a ANABB e a Contraf, o Sindibancários/ES também se posiciona contrário à proposta e orienta o voto não por entender que a proposta apresentada atende apenas aos interesses do BB, sendo prejudiciais aos associados, da ativa e aposentados, uma vez que retira direitos e o poder de decisão dos associados, além de onerá-los com mudanças irreversíveis.

Além disso, o discurso do banco para aprovar imediatamente essa reforma estatutária está repleto de lacunas e pontos obscuros que requerem atenção e questionamentos dos funcionários.

Quais são os interesses do BB na aprovação às pressas dessas alterações estatutárias que o fazem investir tanto? Vale ressaltar que enviar mensagens e intervir judicialmente é oneroso para o banco.

O banco afirma que as alterações são necessárias para adaptação da CASSI à CGPAR. Contudo, a resolução prevê um prazo de até 4 anos para os planos se adaptarem. Porque o BB quer fazer essa adaptação imediatamente? Vale destacar que a ANABB entrou com ação judicial para sustar os efeitos da resolução da CGPAR, justamente, por considerá-la inconstitucional e prejudicial aos associados. E na Câmara dos Deputados também tramita projeto que busca anular a resolução. Além disso, estamos em período eleitoral e não sabemos qual o rumo que o Ministério do Planejamento irá tomar no sentido de manter ou não as resoluções da CGPAR. Portanto, adaptar o estatuto da CASSI à uma resolução que pode ser anulada em pouco tempo é correr o risco de perder nossos direitos com nossa anuência e de forma irreversível.

A própria resolução da CGPAR prevê que as adaptações devem ser feitas respeitando a manutenção dos direitos adquiridos. Então, porque alterar partes do estatuto retirando direitos que foram historicamente conquistados e pactuados entre associados e patrocinador?

Além disso, sabemos que hoje o grande gargalo da CASSI é resolver o seu déficit financeiro e a sustentabilidade da entidade. Então porque o banco não foca as mudanças apenas nesses pontos? Qual o interesse em alterar outros pontos do estatuto que dizem respeito à gestão e governança? Para quê alterar nomenclaturas que mudam o caráter da Caixa de Assistência transformando-a em uma operadora de plano de saúde convencional de mercado, onde o BB passa a ter o controle absoluto e os funcionários passam a ser apenas beneficiários? Porque incluir voto de minerva e prerrogativa de veto dando poder de decisão unilateral ao banco?

Outro ponto questionável é o terrorismo que o BB vem fazendo afirmando que se a proposta não for aprovada, o plano vai sofrer intervenção da ANS e suspender os atendimentos. Importante salientar que, de acordo com a reunião no último dia 4, entre a Comissão de Associados da CASSI e representantes da ANS, uma intervenção, caso seja necessária, prevê a criação de um programa de readequação financeira da entidade com procedimentos, a médio e a longo prazos, a serem cumpridos sob o monitoramento da ANS. Portanto, não significa a extinção do plano.

Votar não significa que não aprovamos essa proposta e que queremos que o Banco do Brasil reabra o processo de negociação. Exigimos amplo debate entre todas as partes envolvidas de modo que todas possam colaborar na elaboração de uma proposta mais transparente, detalhada, democrática e que respeite os direitos dos associados.

Imprima
Imprimir