BB lucra R$ 6 bilhões e mantém precárias condições de trabalho

Somente neste primeiro semestre, o Banco do Brasil lucrou R$ 6 bilhões, um crescimento de 11,5% em relação ao mesmo período de 2014. Em caminho oposto ao da taxa de lucro, o número de bancários segue em queda no BB. Além disso, a divulgação do lucro do BB, e das demais instituições financeiras, reafirma que […]

Somente neste primeiro semestre, o Banco do Brasil lucrou R$ 6 bilhões, um crescimento de 11,5% em relação ao mesmo período de 2014. Em caminho oposto ao da taxa de lucro, o número de bancários segue em queda no BB. Além disso, a divulgação do lucro do BB, e das demais instituições financeiras, reafirma que não há crise para os bancos.

O número de correntistas do Banco do Brasil teve um acréscimo de 561 mil, somando 62,1 milhões de clientes, no total. No entanto, somente com as demissões incentivadas, mais de 5 mil bancários saíram do BB no final do primeiro semestre deste ano. Além disso, com a reestruturação da dotação feita pelo Banco, foram eliminadas cerca de 3 mil vagas para contratação de novos bancários.

“O BB alcança um lucro exorbitante às custas da precarização do atendimento aos clientes e do adoecimento dos bancários. Com as demissões incentivadas, são menos 5 mil bancários com experiência. O BB também tem reduzido o número de funcionários de suporte, sobrecarregando ainda mais os gerentes”, denuncia a diretora do Sindibancários/ES, Goretti Baroni.

Segundo os dados da pesquisa realizada pela Anabb, 45,59% dos funcionários do BB trabalham de 8 a 12 horas diárias, e há ainda um pequeno percentual que trabalha acima das 12 horas por dia (1,02%). Quando perguntados sobre o estresse no trabalho, 68,91% dos entrevistados responderam que se sentem estressados, e 69,85% diz já ter presenciado alguma situação de assédio moral no banco.

Patrimônio líquido

O patrimônio líquido totalizou R$ 82,6 bilhões, com alta de 15,1% no período. A rentabilidade ajustada sobre o patrimônio líquido médio foi de 14,2%, com queda de 1,1 ponto percentual em doze meses. Já o lucro líquido, que inclui resultados extraordinários, alcançou R$ 8,8 bilhões, com alta expressiva de 60,3%.

Segundo análise do balanço feita pela Subseção do Dieese na Contraf, o BB abriu 54 novas agências no período, saltando para 5.544 unidades no primeiro semestre. Entretanto, somente 778 novos funcionários foram admitidos no período, totalizando 112.325 trabalhadores em junho de 2015. A Rede Mais BB (correspondentes bancários e Banco Postal) somou 14.574 unidades (-696 unidades em 12 meses).

Receitas de tarifas X despesas de pessoal

As receitas com serviços e tarifas totalizaram R$ 12,8 bilhões com alta de 9,1%, enquanto as despesas com pessoal somaram R$ 10,7 bilhões (+14,2%), o que resultou num índice de cobertura de 119,3% em junho de 2015.

Aumento da taxa Selic

Entre os resultados mais expressivos do banco destacam-se as receitas de R$ 29,6 bilhões com Títulos e Valores Mobiliários (TVM), que cresceram 58,7% em 12 meses, reflexo das consecutivas altas da taxa básica de juros (Selic) determinadas pelo COPOM-Comitê de Política Monetária. 

Mais crédito

A carteira de crédito ampliada cresceu 8% em 12 meses, atingindo um montante de R$ 777 bilhões, alta de 8% em 12 meses, mas ficou estável no trimestre. As operações com pessoa física cresceram 7,7% em relação a junho de 2014, chegando a R$ 186,3 bilhões.

As operações com pessoa jurídica alcançaram R$ 353,3 bilhões, com elevação de 5,4% e a de agronegócio R$168,3 bilhões, alta de 7,1%, em doze meses.

Inadimplência estável

O índice de inadimplência superior a 90 dias manteve-se praticamente estável em 2,04% em junho de 2015 (ligeira alta de 0,05 ponto percentual em 12 meses). Entretanto, as despesas com provisões somaram R$ 11,5 bilhões, com alta de 32% em 12 meses.

Campanha Salarial

Os números mostram que há cada vez mais trabalho para cada vez menos funcionários, o que aumenta a sobrecarga e a pressão. “Não podemos aceitar as precárias condições de trabalho impostas pelo banco e nesta campanha os bancários devem permanecer unidos e mobilizados para garantir novas contratações e respeito aos direitos da categoria”, enfatiza Goretti.

As melhorias no plano de carreira e na Cassi são pontos importantes a serem debatidos durante esta Campanha. Tendo em vista o lucro obtido, o Banco do Brasil tem total condição de atender às reivindicações aprovadas pelos funcionários e entregue à direção do Banco no último dia 11.

Com informações da Contraf.

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