BB: moradores da Praia do Canto fazem café da manhã contra fechamento de agência

Durante o café da manhã, diretores do Sindicato e clientes do BB dialogaram com a população sobre a importância de manter a agência da Avenida Rio Branco e colheram assinaturas para um abaixo-assinado contra o fechamento da unidade.

Com o apoio do Sindibancários/ES, moradores da Praia do Canto se uniram nesta quinta-feira, 23, para um café da manhã contra o fechamento da agência Avenida Rio Branco, do Banco do Brasil. O objetivo foi pressionar a direção do BB e dialogar com a população sobre a importância de manter a unidade, que deve ser fechada a partir de março como parte das medidas de reestruturação do banco.

Ao longo da manhã, foram colhidas assinaturas para um abaixo-assinado endereçado ao Ministério Público Estadual, que questiona o fechamento da unidade. Os moradores do bairro destacaram os prejuízos para a população local.

Mais de duas mil assinaturas já foram colhidas para o abaixo-assinado

Maria Célia Altoé, uma das clientes que acompanhou a atividade

“Um dos maiores problemas é a migração de contas para a agência da Reta da Penha, onde não tem estacionamento, as pessoas de idade não conseguem chegar lá porque a avenida é muito movimentada e extremamente perigosa, não é ideal. Um bairro como o nosso, que tem muitas lojas e um movimento enorme, porque fechar? Para economizar? Se nós pagamos tanto pra ter uma conta aqui dentro?”, pergunta Maria Célia Altoé, a Celinha, em tom de revolta.

 

Irene Fernandes Rocha, cliente do Brasil há mais de 20 anos

Para Irene Fernandes Rocha, de 78 anos, o fechamento da unidade afetará principalmente os clientes idosos. “A maioria dos clientes é de idosos, pessoas com dificuldade de locomoção. Então vai dificultar a vida de todo mundo sair daqui e ter que ir na Reta da Penha”.

O senhor Nilo de Assis Marinho, de 89 anos, concorda. Ele e a esposa, Elza Pereira Marinho, de 83 anos, são clientes da agência Rio Branco há cerca de 10 anos. “A agência é perto pra resolver qualquer coisa, pagar uma conta, sacar dinheiro. A gente mora aqui do lado e fica difícil pra mim ir para longe”.

À direita, Elza e Nilo Marinho, ambos clientes da agência Av. Rio Branco

Irene Rocha, que é cliente da unidade há mais de 20 anos, destaca também a importância do relacionamento que desenvolveu com os funcionários durante esse período. “O tratamento dos empregados com os usuários é muito bom. Eu já tenho relacionamento com o gerente, o caixa, com o guarda, com todo mundo, porque eu converso com todo mundo. É um sacrilégio o que eles estão fazendo”.

O presidente da associação de moradores da Praia do Canto, César Saad, também apoiou a organização do café da manhã. Para ele, não há justificativa para fechar uma agência superavitária localizada em uma região importante de Vitória. Os impactos serão sentidos pela população e pelo comércio.

“É uma agência localizada no Centro da Praia do Canto, portanto de fácil acesso tanto para o morador quanto para o lojista. É uma agência que tem pouco impacto para o bairro, já está integrada à comunidade, é fomentadora do comércio local. É uma comodidade para os moradores de idade mais avançada que, ao terem que ir para a Reta da Penha, não poderão ir a pé e ainda ficarão mais expostos a assaltos. Porque tirar isso se a agência é lucrativa?”, disse Saad.

César Saad, presidente da Associação de Moradores da Praia do Canto

Um empregado da agência que preferiu não se identificar endossou a insatisfação dos clientes. Segundo ele, a cada atendimento são recebidas muitas reclamações. Os empregados dessa agência já estão realocados, então não tivemos tanto transtorno, mas os clientes estão achando muito ruim o fechamento, inclusive manifestando o desejo de retirar a conta do banco. A fala deles é de que e se sentiram traídos pelo Banco do Brasil”.

Agência é lucrativa

Atualmente a agência Rio Branco possui 6.200 contas de Pessoa Física e 1500 contas de Pessoa Jurídica, com um grande fluxo de atendimentos. Possui um volume de aplicação/captação em torno de R$ 204 milhões. Além disso, a agência tem operações de empréstimos em torno de R$ 46 milhões.

Fechamento intensifica sobrecarga e atendimento tende a piorar

As demandas da unidade da Avenida Rio Branco serão absorvidas por agências próximas, que já estão sobrecarregadas. Para piorar, a reestruturação reduzirá a dotação das agências, cortando 60 bancários do BB em todo o Estado. A medida aumenta a quantidade de trabalho por empregado e o tempo de espera para atendimento.

“A tendência é que a sobrecarga de trabalho aumente, e o atendimento, por conseqüência, seja mais demorado e de pior qualidade, já que as condições de trabalho dos empregados ficarão ainda mais difíceis”, diz Thiago Duda.

Reestruturação é uma das maiores da história do BB

A reestruturação do Banco do Brasil implicará no encerramento de atividades de agências físicas de varejo, substituindo-as por Postos de Atendimento, Agências Digitais e Escritórios de Negócios, esses últimos destinados a atender a clientela de alta renda. No Espírito Santo são alvo de fechamento a agência Moscoso, no bairro Parque Moscoso, que já encerrou as atividades, e a Rio Branco.

Duas agências já foram transformadas em Postos de Atendimento Bancário: Expedito Garcia, em Cariacica, e Jardim Limoeiro, em Serra. A transformação mantém o número de funcionários, mas extingue a função de Gerente Geral. Com a reestruturação, serão cortados 60 postos de trabalho no Espírito Santo. Em todo o país, serão fechadas 402 agências e 379 serão transformadas em Postos de Atendimento (PA).

Fotos: Sérgio Cardoso

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