BB quer votar memorando da Cassi a toque de caixa

A orientação do Sindicato é que os bancários votem "não" ao memorando. A entidade critica o a realização precipitada da votação, sem tempo para debate com o corpo social do BB, e imposição de alteração estatutária não negociada

O Sindicato realizará plenária na próxima quinta-feira, 17, às 18h30, para discutir coletivamente os rumos da Caixa de assistência. Participe!

Sem debate com os empregados, a direção do Banco do Brasil submeterá à votação a partir da próxima sexta-feira, 11, o memorando de rateio sobre déficit da Cassi. A consulta será realizada até o dia 21.  O calendário foi divulgado apenas nesta quarta-feira, dois dias antes do início do pleito, impossibilitando que os trabalhadores tenham tempo suficiente para discutir os termos do documento.

O acordo é resultado de quase dois anos de negociações com o banco na tentativa de garantir a sustentabilidade da Caixa de Assistência, que enfrenta grave crise financeira, com déficit mensal de R$ 40 milhões – aproximadamente o valor que será garantido pelo acordo, somados o aporte do banco e a contribuição dos bancários.

Estão previstos o investimento mensal de R$ 23 milhões pelo Banco do Brasil, via ressarcimento de serviços, e a criação de taxa extraordinária de mais 1% na contribuição dos empregados, com prazo até dezembro de 2019, o que renderá mais R$ 17 milhões mensais.

Apesar de significar um sopro de vida para a Cassi, a proposta fica aquém do reivindicado pelos trabalhadores. E o mais grave: o banco tenta usar a consulta para aplicar uma manobra na categoria e alterar o estatuto da Cassi.

“No bojo da consulta, será votado a inclusão de uma cláusula no estatuto, definindo a contribuição mensal extraordinária de mais 1% dos proventos de todos os associados, até dezembro/2019, sem menção estatutária da obrigatoriedade da contribuição dos R$ 23 milhões mensais corrigidos, pelo BB”, explica Fernando Amaral, Conselheiro Deliberativo da ANABB.

“Estatutariamente, a cláusula obriga os associados a contribuírem com a taxa extra, mas não compromete o banco. Portanto, não há garantias de que o BB vai cumprir com os aportes negociados até 2019”, complementa Goretti Barone, diretora do Sindibancários/ES.

A consulta ao Corpo Social da Cassi é parte obrigatória para aprovação do acordo, conforme estabelece o Estatuto da Caixa da Assistência. Os gestores do banco têm pressionado os empregados, realizado reuniões para influenciar a votação em favor da aprovação do memorando.

O Sindicato dos Bancários/ES enviou ofício à direção do banco solicitando o adiamento do prazo de votação, para que o corpo social do BB tivesse tempo de debater os pontos do memorando e amadurecer posicionamento, mas não teve resposta. Diante do silêncio do banco, da falta de prazo para debate e da tentativa de alteração estatutária sem negociação prévia, a direção do Sindicato dos Bancários orienta o voto “não”, ou seja, pela negativa do acordo.

Acordo traz outras preocupações

Outra crítica ao memorando é que os valores previstos não significam melhoria na prestação dos serviços, como explica Thiago Duda, diretor do Sindicato e membro do Conselho de Usuários da Cassi. “O aporte cobre apenas o déficit, não há recursos suficientes para novos investimentos, é um tapa-buraco. Tira a Cassi do vermelho, mas não permite melhorar a prestação de serviços, continuando a carência de médicos e os problemas da rede credenciada devem”.

Para Thiago, o aporte do banco deveria ser maior, uma vez que boa parte dos atendimentos da Cassi é decorrente de doenças do trabalho, reconhecidas ou não, cujo banco não se responsabiliza. Além disso, por anos o Banco do Brasil não realizou os pagamentos do percentual dos pós-98, contribuindo para que o déficit assumisse a proporção atual.

Além das cláusulas financeiras, o acordo estabelece itens para aperfeiçoamento do modelo de gestão que, a depender da forma como forem aplicados, podem comprometer o modelo de atenção à família – um dos princípios do atendimento oferecido pela Cassi. Entre eles está a contratação de uma consultoria responsável por traçar um diagnóstico do plano, fazer a revisão de processos e sistemas e implementar os projetos propostos para otimização dos recursos.

O risco é que, com uma empresa de mercado pensando todo o gerenciamento futuro do plano, as soluções propostas aproximem a Cassi dos planos de saúde comerciais, uma saída incentivada pela direção do BB e rechaçada pelos trabalhadores.

“Durante as negociações, o BB fez várias tentativas de quebrar o princípio da solidariedade, excluir os aposentados e impor uma tabela de cobrança diferenciada, a exemplo dos planos comerciais, mas nós resistimos. É temeroso que essa consultoria traga para dentro da Cassi uma visão de gestão puramente mercadológica”, destaca Duda.

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