BB rompe mesa de negociação da Cassi

Banco encerra discussão apresentando proposta diferente, que onera ainda mais o participante

Em uma medida arbitrária, o Banco do Brasil rompeu com a mesa de negociação da Cassi. Após críticas do movimento sindical e sem respeitar o rito negocial, foi apresentada à diretoria executiva da Cassi uma nova proposta que não foi discutida com as entidades representativas dos trabalhadores. Segundo um comunicado oficial enviado pelo banco, as discussões a partir de agora se darão apenas dentro da Governança da Cassi.

A Comissão de Empresa solicitou negociação para 5 de junho, mas o banco ignorou. O banco só abandonou as negociações porque avalia que poderá contar com voto dos novos eleitos. A nova “proposta” do BB não altera significativamente a primeira. Quebra o princípio da solidariedade, aumenta a contribuição do associado de 3% para 4%, institui a cobrança por dependente por critério que penaliza mais os salários e aposentadorias menores.

O texto prevê aumento na coparticipação do associado em exames e em consultas, onerando ainda mais o participante, principalmente aqueles que recebem salários inferiores. Um associado da ativa com 2 dependentes e salário de R$ 5.000 hoje paga R$ 150 à Cassi e passará a pagar R$ 400 (4% mais R$ 108,17 por dependente, limitado a 8% do salário), aumento de 167%. Um aposentado que recebe R$ 7.500 e tem um dependente hoje paga R$ 225, passará a pagar R$ 600 (4% mais R$ 324,51 por dependente, limitado a 8%), aumento de 167%.

Parte da gerência média e assessores, por sua vez, nas mesmas condições, teria sua contribuição aumentada para 6,3%. Já um funcionário que ocupe um cargo de gerente de área ou gerente-geral de agência por exemplo, ou cargo superior, teria sua contribuição aumentada de até 4% pagos atualmente para até 5,7%.

Se incluirmos na conta o aumento na coparticipação, muitos associados pagarão até 10% de seu salário. O banco ainda quer roubar o poder dos associados e implantar o voto de minerva para poder alterar o estatuto e as contribuições à revelia dos funcionários.

Dependentes

O dependente de 0 a 24 anos – ou seja, o filho – tem gasto em exames e consultas médicas que não são geradoras de altos custos na Cassi. Todos esses procedimentos possuem coparticipação, isto é, parte é paga por quem tem dependentes e, por isso, não há déficit relativo a esta questão.

Segundo a Agência Nacional de Saúde (ANS), o custo médio mensal per capita de 0 a 24 anos é cerca de R$ 169,13. Após os 24 anos, o dependente filho tem de sair do plano associados e ir para o Cassi Família, cujo fluxo de caixa é outro e não impacta no dos associados.

O dependente que gera efetivamente custo para o banco é o cônjuge da ativa que passa para a aposentadoria. E é justamente desse dependente que a empresa quer se livrar, pois ao passar dos anos, ele representa um custo maior.A proposta do banco é perversa nesse sentido e vai ao encontro da CGEPAR 23, que quer que as empresas estatais se desobriguem com o pós-laboral. Não dá para o banco ser hipócrita e esconder esses dados. Ao abrir mão do dependente cônjuge, o BB quer economizar, pois, segundo a ANS, a média mensal per capita dos 60 aos 90 anos é de cerca de R$ 3.305,31.

Ameaça

O comunicado do BB menciona, ainda, o risco de intervenção da ANS. O BB está omitindo que possui uma dívida de R$ 450 milhões com a Cassi, relativa ao grupo de Dependentes Indiretos. Ele assumiu esta dívida por acordo feito com as entidades representativas em 2008, mas até hoje não pagou.

A diretoria financeira da Cassi, indicada pelo banco, nunca fez a cobrança. A Cassi teve de contratar consultoria para dimensionar o valor exato da dívida, avaliada em R$ 450 milhões. Só o pagamento desta dívida já resolve o déficit atual do plano de saúde.

Para Wagner Nascimento, coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Bancodo Brasil, ao acabar com uma mesa de negociação o banco quer impor aos associados uma conta salgada demais financeiramente e ainda impor todos os cortes em programas que quis fazer nos últimos anos. “A Consultoria Accenture elogiou a área de programas gerenciada pelos eleitos, mas o banco quer passar para o mercado. A Consultoria criticou a área de TI dos indicados do BB e o banco quer passar para os eleitos tirando fora a sua responsabilidade.

Quer pesar no bolso dos associados e ainda retirar direitos históricos como a paridade de gestão”. “O banco não consegue negociar e quer ganhar na força. A dúvida agora é se os novos eleitos votarão contra os associados como espera o banco”, completou.

Este é apenas um dos exemplos das atrocidades que o banco vem sempre praticando, desde 1997, em relação à Cassi. Ele joga essa ameaça de intervenção da ANS, mas isso só atesta a incompetência administrativa da atual direção do BB, que será a principal afetada. Mas dada esta postura autoritária do banco, devemos questionar se de fato existe uma diretoria de pessoas, ou apenas burocratas inescrupulosos sentados em suas salas.

Após encerrar arbitrariamente a negociação, o banco enviou a proposta para análise da diretoria executiva da Cassi. Em seguida, a proposta irá para o conselho deliberativo que é composto por metade dos integrantes indicada pelo banco, e a outra metade indicada pelos associados. Caso seja aprovada, a proposta vai para consulta do corpo social.

Fontes: Contraf e Sindicato dos Bancários de Santos e Região

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