BB sinaliza que vai aplicar a reforma trabalhista com flexibilização do intervalo

Negociação não avança e única proposta apresentada pelo banco prevê redução do horário de descanso dos trabalhadores

A terceira mesa de negociações com o Banco do Brasil, que aconteceu nesta segunda-feira, 23, em Brasília, para tratar das reinvindicações relacionadas à Saúde do Trabalhador e Segurança Bancária, terminou sem avanços e o banco já deu sinais de que pretende implantar a reforma trabalhista.

A única proposta apresentada pelo BB propõe flexibilização do intervalo de almoço ou intrajornada. Aos funcionários que fazem 6 horas poderão ampliar seu intervalo de 15 para 30 minutos e os que fazem 8 horas poderão reduzir de uma hora até 30 minutos ou ampliar até duas horas a duração do intervalo de almoço.

Para a diretora do Sindibancários/ES, Evelyn Tavares, a flexibilização do intervalo proposta pelo BB mostra a disposição do banco em aplicar a nova legislação trabalhista ao funcionalismo. “Essa proposta apresentada pelo banco não é positiva para os funcionários, uma vez que, representa redução no tempo de intervalo, portanto, no tempo de descanso dos trabalhadores. Reduzir o tempo de descanso significa, na prática, aumentar a jornada de trabalho e já é um sinal da disposição do BB em aplicar a reforma trabalhista, que prevê jornadas livres de até 12 horas”, critica.

Mesmo os representantes dos trabalhadores apresentando na reunião uma série de relatos dos problemas de afastamentos e adoecimentos dos funcionários causados pela cobrança das metas e o assédio moral e a sobrecarga de trabalho causada pela reestruturação e remoções, os representantes do BB não reconhecem que essa é a rotina da maioria dos bancários e solicitou que situações pontuais sejam informadas para que possam ser coibidas.

Muitas metas abusivas são estabelecidas no BB fora do acordo de trabalho das equipes e com o controle e solicitação exclusiva do gestor, sem ligação com as metas das agências, no caso do BB, o sistema Conexão. Os funcionários reclamam que as metas geralmente não precificam o mês de férias, o que faz com que até no período de gozo da folga o funcionário não descanse por aquele mês constar como queda de rendimento. Os representantes dos trabalhadores  relataram ainda que tem chegado muitas reclamações de caixas, cuja a cobrança de metas tem sido feita pelos chamados caixas líderes, em muitos casos, fora do horário de trabalho e descumprindo o ACT. Essas cobranças são incentivadas pela Plataformas de Suporte Operacional, mas os exageros não estão sendo coibidos.

“Os adoecimentos não são pontuais, pelo contrário, eles têm aumentado significativamente nos últimos anos no BB, devido a essa política de gestão que impõe sobrecarga de trabalho, descomissionamentos, reestruturações, assédio moral e metas inalcançáveis. A intransigência do banco num tema tão relevante como esse deixa claro que sem mobilização, não haverá avanços nas negociações”, afirma Evelyn.

Correspondentes bancários dentro das agências

Foram denunciadas também várias situações de correspondentes bancários dentro das agências atuando nas salas de auto atendimento e até nas mesas de trabalho. Há uma reivindicação na minuta para que essa prática seja proibida, uma vez que traz para o ambiente interno uma concorrência de venda de produtos e serviços que prejudica a realização das tarefas dos funcionários, além de trazer insegurança jurídica para a empresa.

O Banco afirmou que o correspondente bancário não é para atuar dentro da agência e vai orientar as unidades a cumprir o que determina a norma do Banco Central.

Proposta para a Cassi

A Contraf protocolou ao banco uma nova proposta para a Cassi, construída junto aos sindicatos, com o objetivo de mais uma vez chamar o banco à negociação na Mesa Específica da Cassi. Desde que a mesa foi interrompida, não houve nenhum avanço concreto de propostas e isso tem causado insegurança aos funcionários.

Com informações da Contraf

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