BB substitui GDP e Radar por avaliação subjetiva do gestor

Segundo a Diretoria de Direção Sudeste (DISUD), as análises de desempenho feitas por critério definidos pelos superintendentes, de acordo com a ordem do Diretor, e não mais com base na nota do GDP.

O Banco do Brasil não usará mais os programas Gestão de Desempenho por Competências (GDP) e o Radar do Gestor como ferramentas de avaliação. O anúncio foi feito pela Diretoria de Distribuição Sudeste (DISUD) através de reuniões com os superintendentes e gerentes gerais do BB.

Mas o que poderia soar como uma notícia positiva para os bancários é um novo problema para a categoria. É que a nova regra para avaliar e medir o desempenho dos empregados comissionados passará a ser a vontade do gestor. Segundo a Diretoria, as análises de desempenho serão critérios definidos pelos superintendentes, de acordo com a ordem do Diretor, e não será considerada a nota da GDP se “precisar” retirar o cargo de alguém.

“Essa mudança consolida o assédio moral institucionalizado. É mais um exemplo de autoritarismo do banco, ao implementar um critério absolutamente subjetivo para determinar o descomissionamento de um empregado”, diz Goretti Barone, diretora do Sindibancários/ES.

“Quem não se adequar pede pra sair”

Após realizar dez descomissionamentos em um mesmo dia, a Diretoria de Distribuição do Sudeste (DISUD) passou a transmitir em reuniões a mensagem de que essa é a nova ordem da casa. Expressões do tipo ”quem não se adequar, pede para sair” foram confirmadas por gerentes de agências de estados do Sudeste do Brasil como ditas pelo Diretor da DISUD para serem repassadas aos demais funcionários.

Qual é a nota e para quê existe a nota média?

O Acordo Coletivo de Trabalho – ACT assinado entre o Banco do Brasil e as Entidades Sindicais prevê na Cláusula 45ª que, para descomissionamento, deverão ser observados três ciclos avaliatórios insatisfatórios consecutivos. O conceito da cláusula desde a sua origem foi de ter uma média de GDP para fazer a análise. O Banco passou a divergir destes conceitos de média, alegando que com a auto-avaliação e a avaliação dos pares a nota média vai ficar alta nos critérios de desempenho considerados pelo Banco do Brasil, que não são claros para os avaliados.

A ferramenta GDP, aposentada pela DISUD, prevê e deixa visível a nota média dos avaliados. A Diretoria do BB então, para efetuar cortes e descomissionamentos, passou a desconsiderar a nota média e usar apenas uma nota insatisfatória em qualquer competência como critério. Houve casos de funcionários com notas suficientes que foram descomissionados porque constava na sua avaliação contínua uma anotação negativa.

Dessa forma, a diretoria deixa de considerar a avaliação e considerará apenas as anotações como critério, contrariando toda a cultura de avaliação do banco desenvolvida há anos.

Wagner Nascimento, coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB, discorda do abandono das ferramentas de avaliação e da adoção de critérios subjetivos e discricionários do gestor para efetuar cortes nos cargos. “Lamentamos que anos de desenvolvimento e milhões de reais gastos para criar e difundir as ferramentas de avaliação sejam jogados fora de uma hora pra outra. Esperamos que o banco atenda a nossa reivindicação de instalar uma mesa de negociação sobre GDP e volte a adotar essa ferramenta como critério de avaliação, ao invés de deixar as pessoas à mercê da vontade de um superintendente ou diretor”, afirmou.

Com informações da Contraf

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