BB: veja orientações sobre realocação e outras mudanças da reestruturação

Banco garantiu que não haverá transferência compulsória. Realocação acontecerão no próprio município, depois nas praças. Terão prioridade os empregados que perderam a comissão. Irregularidades devem ser denunciadas ao Sindicato

O Sindicato dos Bancários se reuniu na última semana com o gerente de Gestão de Pessoas RJ/ES do Banco do Brasil, Valdemar da Silva, para debater os impactos da reestruturação no Espírito Santo e esclarecer os procedimentos e normas adotados para descomissionamentos, realocações e demais mudanças impostas pela direção.

Na ocasião, Silva garantiu que está descartada a hipótese de transferência compulsória para outro município. Afirmou também que nenhum gestor está autorizado a indicar os funcionários excedentes até que saia o resultado dos pedidos de realocação, previsto para o dia 29 de janeiro – três dias após o prazo de encerramento dos pedidos.

Só podem ser realocados empregados cujos cargos constam em excesso nas unidades. A prioridade da realocação será no próprio município, depois em outras praças. Mesmo assim, alguns bancários podem ser transferidos para outros estados se esgotarem as vagas locais.

“Está claro que o banco não está considerando a questão humana. Ao propor transferir um empregado para outro município ou estado, é necessário se colocar no lugar dele. As pessoas têm uma vida construída aqui, uma família, e podem enfrentar diversos problemas com essa mudança”, critica a diretora do Sindicato Goretti Barone.

O Sindicato também questionou o prazo para a adesão ao programa. “É um tempo muito curto para tomar uma decisão tão importante. O banco fala que não quer perder ninguém, mas quem não quiser ou não puder ser realocado, vai fazer o quê? A única saída é aderir ao Programa de Demissão Voluntária, que de certa forma foi lançado justamente para isso. E os critérios de realocação não têm transparência nenhuma”, salienta.

Critérios de realocação

Segundo o BB, a indicação de caixas e escriturários será feita pelo comitê da agência. Os critérios apontados foram cumprimento de metas e agilidade no atendimento, aspectos considerados inadequados para o Sindicato por serem subjetivos. “Bom atendimento não significa atendimento rápido. Além disso, a demanda de trabalho varia por carteiras e por região, isso não pode ser motivo para punir ou desqualificar os empregados”, explica Barone.

Prioridades

Bancários e bancárias que perderam a comissão estão tendo prioridade na realocação. No entanto, um erro no sistema fez com que vários casos não fossem reconhecidos como prioridade. Caso isso ocorra, a orientação é entrar em contato com a Gestão de Pessoas (Gepes).

“É uma situação que mostra a irresponsabilidade e o tratamento desrespeitoso do banco em relação aos bancários e bancárias, e que pode acarretar em injustiça para os trabalhadores”, diz Goretti.

Atenção: não podem ser realizadas ascensões até que terminem as realocações dos empregados com prioridade.

Plenária

A reestruturação foi tema de plenária dos empregados do BB na última quinta-feira, 18. O diretor do Sindibancários Thiago Duda alertou que o processo de reestruturação é contínuo e as únicas pessoas que podem barrá-lo são os próprios bancários e bancárias.

“Essa reestruturação não para por aqui. Ela tem o propósito claro de desmontar o banco público. Quem ainda não foi afetado não deve se sentir salvo, pois ainda pode ser atingido. Não é uma questão individual, deve ser encarado como um problema coletivo e gigante contra o qual devemos lutar. O banco está passando por cima de todos, mas vai atuar com mais ou menos intensidade de acordo com a nossa resposta. E esta deve ser firme”, ressalta Duda.

Reforma trabalhista

O assessor jurídico do Sindibancários André Moreira estava presente na plenária para tirar as dúvidas de bancários e bancárias. Ele deixou claro que a reestruturação é consequência da reforma trabalhista e que as ações judiciais são importantes, mas não podem substituir a mobilização da categoria.

“Essa disputa tem que ser feita pela categoria de forma política. Alguma situação que gerou ilegalidade ou falta de isonomia do ponto de vista jurídico pode ser resolvida judicialmente, mas é preciso assumir essa luta como uma luta da categoria”, afirma André Moreira.

Goretti Barone ressalta que essa nova reestruturação foi implementada no final do ano, justamente depois da reforma entrar em vigor. Ainda assim, reestruturação traz várias irregularidades. O Programa de Adequação de Quadros (PAQ), por exemplo, prevê que o empregado que aderir ao PDV não pode entrar com ação contra o banco, dando quitação das pendências trabalhistas com o Banco do Brasil. Isto fere o artigo 477.b da CLT, que diz que a quitação só pode ocorrer caso o PDV seja fruto de acordo coletivo, o que não é o caso.

Mobilização

A resistência contra o desmonte do BB está sendo construída nacionalmente. Os bancários capixabas participaram na última sexta-feira, 19, do dia nacional de luta contra a reestruturação, paralisando até às 11h cinco agências na Grande Vitória.

Situações de assédio devem ser denunciadas

Bancários e bancárias que estiverem passando por pressão ou assédio moral para aderir ao PAQ podem entrar em contato com o Sindibancários pelo e-mail secretariageral@bancarios-es.org.br.

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