Bolsonaro reafirma defesa do mercado e conservadorismo em discurso de posse 

Nos discursos de posse, Bolsonaro defendeu o direito à propriedade e a meritocracia, criticou a ideologia de gênero, apontou como marca do seu governo o livre mercado e prometeu um país livre das amarras ideológicas.

Presidente Jair Bolsonaro saúda o povo depois de receber a faixa presidencial.Marcelo Camargo/Ag. Brasil

O discurso de Jair Bolsonaro (PSL) durante a posse presidencial, ocorrida nesta terça, 1º, reafirmou o programa anunciado durante a campanha eleitoral, mantendo o nível de preocupação em relação ao avanço do conservadorismo no país.

Na fala ao Congresso Nacional e em frente à Praça dos Três Poderes, onde discursou para um público de cerca de 115 mil pessoas, Bolsonaro defendeu o direito à propriedade e a meritocracia, criticou a ideologia de gênero, apontou como marca do seu governo o livre mercado e prometeu um país livre das amarras ideológicas.

Em resposta aos que o classificaram como fascista, falou em proteger a democracia, sem deixar de ressaltar o papel estratégico que os militares terão no seu governo.  “Nossas Forças Armadas terão as condições necessárias para cumprir sua missão constitucional de defesa da soberania, do território nacional e das instituições democráticas, mantendo suas capacidades dissuasórias para resguardar nossa soberania e proteger nossas fronteiras”, disse.

Num cinismo sem precedentes, afirmou que com sua posse “o povo começou a se libertar do socialismo, da inversão de valores, do gigantismo estatal e do politicamente correto”.  Esquece-se que nem mesmo os governos petistas podiam falar em socialismo, pois apesar de terem implementado medidas sociais compensatórias, nunca tiverem caráter de transformação e continuaram a aprofundar o neoliberalismo no país.

Talvez Bolsonaro esteja dizendo em alto e bom som que vai mesmo é fazer o politicamente incorreto. E já começou. Nas primeiras horas de governo, logo após a posse, o presidente assinou Medida Provisória esvaziando a Funai (Fundação Nacional do Índio) e passando a responsabilidade sobre a identificação, delimitação e demarcação das terras indígenas para o Ministério da Agricultura, pasta comandada pela ruralista Tereza Cristina. O governo também extinguiu a Secadi (Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão), pasta do Ministério da Educação responsável, entre outras coisas, por ações na área de direitos humanos, para dar lugar a uma secretaria de alfabetização que será chefiada por um pequeno empresário do setor privado de educação.

Paulo Guedes, superministro da Economia, já anunciou que tem pronta uma Medida Provisória a ser lançada nos próximos dias com alterações nas regras da Previdência, a fim de tornar mais rígida a concessão de benefícios da Previdência rural ou aqueles benefícios liberados via decisão judicial com processos não transitado em julgado, ou seja, que podem ser revertidos.

O tema do combate à corrupção também esteve presente no discurso de posse do presidente, embora continue sem resposta plausível e oficial a movimentação financeira de Fabrício José Carlos de Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente, à época vereador do Rio de Janeiro. Bolsonaro também nada declarou sobre a filha de Queiroz, Nathalia Melo de Queiroz, personal trainer do Rio de Janeiro que por dois anos foi secretária parlamentar lotada em seu gabinete na Câmara dos Deputados, função que exige frequência de 40 horas de trabalho semanais.

Bolsonaro manteve no discurso a coerência com o programa apresentado nas eleições, o que não apaga as contradições que esse governo deve gerar. Pediu unidade ao povo brasileiro, mas prometeu combater os dissonantes e os “vermelhos”. “Essa é a nossa bandeira, que jamais será vermelha. Só será vermelha se for preciso o nosso sangue para mantê-la verde e amarela”, afirmou.

Certamente haverá sangue na bandeira brasileira, mas não será o de Bolsonaro. O aceno do novo governo para as elites financeiras e empresariais deixa claro que o sangue que continuará jorrando será o dos mais pobres, da classe trabalhadora, dos negros e negras favelados, dos indígenas, da população LGBT e demais excluídos.

Governo estadual

Paralelamente à posse presidencial, foram empossados também os governadores, entre eles Renato Casagrande (PSB), no Espírito Santo. Apesar de ter rompido com Paulo Hartung no passado, Casagrande se diferenciou pouco de seu ex-padrinho político na gestão que comandou entre 2011 e 2014.

Para os trabalhadores capixabas, fica a expectativa de que Renato Casagrande fortaleça o serviço público e, em especial, cumpra o termo de compromisso do Banestes, assinado durante a campanha eleitoral, no qual se compromete a manter o Banestes público e estadual.

 

 

 

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