Bradesco anuncia fechamento de agências

O encerramento de unidades pode ocorrer nos próximos meses e atendimento será transferido para postos de atendimento menores, precarizando ainda mais o atendimento aos clientes e as condições de trabalho dos bancários

Mesmo com lucro de mais de R$ 12 bilhões nos nove primeiros meses deste ano, o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, anunciou que o banco poderá fechar agências. Caso a medida seja concretizada, irá ampliar o número de demissões. O banco já cortou 4.790 postos de trabalho, entre setembro de 2015 e setembro deste ano.

Durante o processo de compra do HSBC, o Bradesco havia descartado a possibilidade de fechar agências. No entanto, o anúncio do encerramento de unidades já era esperado pelos representantes dos trabalhadores bancários, como explica o diretor do Sindibancários/ES, Fabrício Coelho.

“O compromisso do Bradesco nunca foi com a comunidade ou com seus trabalhadores. Esse processo de fechamento de agências e demissões confirma esse posicionamento do banco. Um sistema financeiro a serviço puramente do lucro, e não da vida, gera esse resultado perverso para trabalhadores e a população. Por isso defendemos o maior controle social e a estatização do sistema financeiro”, enfatiza Coelho.

Mobilização e luta devem ser a resposta dos trabalhadores para mais essa ofensiva. “Os projetos desse governo Temer golpista e do Congresso, que representa os interesses dos grandes empresários e banqueiros, vão seguir precarizando e retirando direitos dos trabalhadores. Mais do que nunca, este é o momento de construirmos a greve geral. A questão é séria: somente com luta vamos resistir às demissões, à terceirização, à precarização do trabalho e dos serviços à população”, frisa o diretor do Sindibancários/ES.

Hoje, o Bradesco tem uma rede maior que os outros dois maiores bancos privados do país, Itaú e Santander, formada por 5.242 agências, incluindo as unidades incorporadas do HSBC.

Incorporação HSBC

Bancários e clientes enfrentam diversas problemas relacionados à incorporação do HSBC pelo Bradesco. Após 5 milhões de contas-correntes do banco inglês terem migrado para o Bradesco, funcionários e clientes foram prejudicados. Bancários relatam jornadas de trabalho extenuantes, que passam do horário estendido durante a migração, além da forte cobrança pelo cumprimento de metas.

Após intensa mobilização e negociações com o banco, a Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco assegurou avanços importantes para os ex-funcionários do HSBC. O Bradesco voltou a cobrar os valores do plano de saúde dos aposentados anteriormente praticados pelo HSBC. Entre outras reivindicações, os bancários conseguiram manter o auxílio-educação até o final do curso de quem está matriculado. Outra conquista importante é a ampliação do crédito-consignado nos moldes do HSBC.

Com informações da Contraf e da Folha de São Paulo

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