Bradesco: reestruturação reduz agências e provoca demissões

No Espírito Santo, pelo menos seis agências serão transformadas em postos de atendimento. Bancários trabalham sob pressão e com medo de perderem o emprego

Seguindo uma tendên­cia de reestrutu­ração do Sistema Financeiro Nacional, o Bradesco está fechando agências, aumentando as demissões e intensi­ficando a cobrança por metas.

Esse processo foi ace­lerado após a aquisição do HSBC, que gerou natural­mente o aumento do corpo social do banco e uma so­breposição de agências por região.

Dentre as mudanças previstas, as agências de Vargem Alta, Marataízes, Mimoso do Sul, Ibatiba, An­chieta e Afonso Cláudio serão transformadas em Postos de Atendimento Avançado (PAA), reduzindo a oferta de serviços bancá­rios à população e cortando postos de trabalho.

Diferente de ou­tros bancos que anun­ciaram recentemente grandes programas de reestruturação, as mu­danças no Bradesco estão sendo feitas de forma silenciosa, o que chama menos atenção, mas não reduz os impactos para trabalhadores e clientes.

Bancários sofrem pressão por resultados

A busca por melhores resulta­dos fez disparar a cobrança de me­tas e a pressão sobre os bancários, chegando frequentemente ao assé­dio moral.

A redução nos lucros tem sido a justificativa do Bradesco para pro­mover o “terror” nas agências. Em 2016, o banco obteve R$ 15,083 bi­lhões de lucro líquido, ante R$ 17,189 bi no ano anterior. Ainda assim, a ins­tituição financeira ficou no topo da lis­ta de empresas que mais lucraram no país, segundo levantamento feito pela consultoria Economatica com empresas listadas na Bolsa.

Mesmo que o banco tivesse apresentado resultados negativos, a prática do assédio seria injustifi­cável. O assédio moral desumaniza o espaço de trabalho e gera adoe­cimento, por isso, empregados que se sentirem desrespeitados devem denunciar ao Sindicato.

PAA´s ficam sem segurança

A redução de seis agên­cias a postos bancários traz à tona a preocupação com a segurança. Os PAA´s funcionam sem a presença de vigilantes e sem porta de segurança, à revelia da legislação estadual.

A lei 5.229/1996 é cla­ra ao estabelecer a obri­gatoriedade da porta ele­trônica de segurança nos acessos públicos de agên­cias e postos de serviços bancários. O Bradesco, no entanto, se recusa a cum­prir a lei por não haver mo­vimentação de numerário nos PAA´s, mesmo com a presença de caixas eletrô­nicos. Assim, bancários e clientes ficam mais expostos a as­saltos e sequestros, colocando a própria vida em risco.

Em 2014, uma bancária foi violentamente agredida durante um assalto no posto de atendi­mento de Águia Branca, noroes­te do Estado. Também já foram assaltados os postos de atendi­mento de Irupi e Vargem Alta, com explosão de caixas eletrôni­cos. Esses tristes episódios são demonstrações do descaso do Bradesco com os empregados e com a população.

Demissões em alta

A insegurança no trabalho aumenta diante do número de demissões. Só no primeiro trimestre do ano foram 18 demitidos no Espírito Santo. Entre outubro e dezembro de 2016, após a incorporação do HSBC, foram cortados 1.129 postos de trabalho em todo o país. Com um cenário de crise que dificulta o alcance de metas e com a aprovação da terceirização irrestrita, o medo de demissão é constante.

A lógica da competição entre trabalhadores é incentivada pelo banco, mas não caia nessa. O problema da demissão afeta a todos e temos que estar unidos para enfrentá-lo.

Banco não cumpre função social

Mesmo sendo uma instituição privada, o Bradesco recebe uma con­cessão pública para atuar como agente financeiro e intermediar as relações bancárias na sociedade. Por isso, ele tem um pa­pel social a cumprir. Deve garantir uma prestação de serviços de qualidade à po­pulação e contribuir para a promoção do desenvolvi­mento, por exemplo, de­mocratizando o acesso ao crédito.

O Bradesco, no entanto, tem feito exatamente o oposto. Ele en­cerra postos de trabalho aumen­tando os índices de desemprego e reduz o número de agências, limi­tando a oferta de serviços aos clien­tes.

Assim, o banco se volta cada  vez mais para a prospecção de ne­gócios, enquanto os clientes são empurrados para os corresponden­tes bancários, mesmo pagando al­tas taxas de juros e tarifas.

 

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