Dois meses de Brumadinho: a história se repete em tragédias

Nesta semana completaram-se dois meses do rompimento da barragem de Brumadinho, crime que matou mais 300 pessoas e deixou 135 desalojados. Em artigo, a coordenadora do MAB, Tchenna Maso, alerta para a necessidade de rever o modelo de privatizações e de segurança das barragens e as políticas de direitos para as populações atingidas.

Uma vista aérea mostra a destruição provocada pelo rompimento da barragem da represa em Brumadinho, Brasil, em janeiro de 2019. (AP Foto/Andre Penner)

Na última segunda-feira, 25, completaram-se dois meses do rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais — mais um crime ambiental e contra a vida protagonizado pelas grandes mineradoras. Para marcar a data, republicamos em nosso site artigo produzido para a edição de março do Jornal Correio Bancário, pela coordenadora do Movimento dos Atingidos por Barragens, o MAB. Confira:

Brumadinho: a história se repete em tragédias

Em 25 de janeiro de 2019 a sociedade é atingida por mais um crime da mineração cometido pela Vale. São mais de 300 vidas perdidas, em sua maioria de trabalhadores e trabalhadoras, 135 pessoas desalojadas e milhares de outras vidas destruídas pela lama. Há diversos
elementos na investigação criminal que permitem apontar que a empresa era consciente do risco de rompimento.

Estamos revivendo o amargo processo do Rio Doce e do litoral capixaba. O crime reincidente é um chamado à sociedade civil para rever o modelo de privatizações e de segurança das barragens e as políticas de direitos para as populações atingidas. O MAB já constatou em sua
história a estratégia das grandes corporações de atuar em conflitos socioambientais na individualização das problemáticas, como se a destruição das dimensões de vida, moradia, trabalho e meio ambiente, pudessem ser isoladas em pessoas, quantificáveis a curto prazo.

Mais uma vez, a exemplo do passado no Rio Doce, as propostas indenizatórias buscam o não reconhecimento da empresa como responsável pelos danos. Impunidade corporativa. E quem paga a conta? Além dos atingidos e atingidas da região, o povo brasileiro. Primeiro, porque falamos de uma empresa brasileira privatizada cujo processo representou a venda dos bens públicos a baixo custo. Depois, porque temos uma sobrecarga do sistema de atendimento público da saúde, defesa civil e Previdência, além do sistema de justiça.

Precisamos nos atentar para quem compõe o capital da Vale. Nos mais de 3 mil acionistas, a maioria são bancos como Bradesco, Banco Alemão, HSBC e fundos de Pensão como Previ. Precisamos com urgência discutir o que o capital financeiro e a busca por lucros tem feito com a continuidade da vida humana.

Tchenna Maso, coordenação do MAB – Movimento dos Atingidos por Barragens

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