Caixa afronta trabalhadores ao afirmar que greve causou queda no lucro

A justificativa que atribui a redução do lucro à greve dos bancários foi enviada aos trabalhadores e trabalhadoras em comunicado que trata da Participação nos Lucros e Resultados (PLR)

O “longo período de greve” da categoria bancária foi a desculpa utilizada pela direção da Caixa para o declínio do lucro líquido do banco em 2016. A instituição financeira lucrou R$ 4,1 bilhões, sendo que as projeções apontavam para R$ 6,7 bilhões. A justificativa para a redução do lucro foi enviada aos trabalhadores e trabalhadoras no comunicado por meio do qual a Caixa trata da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

A greve de 2016 durou 31 dias.

“Se existe de fato uma queda no lucro é devida à má gestão do banco, sob a direção de Occhi, que está cada vez mais voltada para uma lógica privada. Culpar os trabalhadores é mais uma afronta dessa gestão aos empregados, que já estão sobrecarregados e em péssimas condições de trabalho, já que a Caixa não faz contratação há dois anos, tem promovido demissão voluntária e ainda insiste em abrir agências aos sábados”, enfatiza o diretor do Sindibancários/ES, Vinícius Moreira.

“A greve somente aconteceu porque o banco não negociou como deveria e se estendeu porque a Caixa continuou a não querer atender as nossas reivindicações. Ao paralisar as suas atividades, os trabalhadores e trabalhadoras exerceram seu direito, que é de lutar por melhores condições de trabalho, por uma Caixa 100% pública e que cumpra sua função social. Vamos continuar utilizando esse instrumento de luta para garantir nossos direitos”, destaca a diretora do Sindibancários/ES, Fabíola Rodrigues Garcia.

Lucro questionável

O presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira, destaca que o balanço apresentado pela Caixa referente ao lucro de 2016 é questionável. De acordo com ele, em setembro, quando o lucro acumulado era de R$ 3,4 bilhões, projetava-se fechar o ano com quase R$ 7 bilhões. No balanço a Caixa destaca principalmente a melhoria do resultado operacional, da margem financeira e da carteira de crédito, bem como a queda do índice de inadimplência. Mesmo assim, o valor está bem abaixo do projetado. “O que ocorreu? Se foi um erro de projeção, nunca foi tão absurdo”, diz Jair.

Fabíola acredita que a queda da lucratividade, divulgada pela Caixa, pode fazer parte de uma estratégia de desmonte da instituição financeira.

“Demoraram muito a divulgar o balanço financeiro e quando divulgaram vem com essa redução inesperada. Pode ser uma forma para justificar fechamentos de mais agências, mudanças no Saúde Caixa e outras formas de precarização das condições de trabalho e do atendimento ao cliente para, no futuro, justificar uma possível privatização. O que o governo ilegítimo de Temer quer é o desmonte dos bancos públicos”, ressalta a diretora.

CEE PLR com base no lucro líquido

Na próxima sexta-feira, 07, a Comissão de Empregados da Caixa e a direção do banco irão se reunir. Na ocasião, os representantes dos trabalhadores e trabalhadoras cobrarão o pagamento da PLR com base no lucro líquido recorrente de R$ 4,967 bilhões e não no lucro contábil de R$ 4,137 bilhões. Caso a reivindicação seja atendida, tanto a PLR adicional quanto a PLR Social teriam aumento de cerca de 20%. A regra básica Fenaban também teria seu valor elevado.

A Comissão Executiva dos Empregados também vai cobrar esclarecimentos sobre a proposta de fechar entre 100 e 120 agências, anunciada por Occhi no dia 28 de março, bem como a respeito das mudanças planejadas no Saúde Caixa. Na reunião será mais uma vez reivindicada a implementação urgente das alterações discutidas no RH 184, a retomada do processo seletivo interno para os cargos de auxiliar, assistente e supervisor, suspenso no dia 9; e explicações sobre a mudança do instrumento de assédio moral.

Resistência

Diante da gravidade do momento, a Comissão de Empregados da Caixa vai orientar que sindicatos e empregados da Caixa definam a adesão à greve geral do dia 28 de abril contra as reformas da Previdência, trabalhista e a lei da terceirização. A defesa dos bancos públicos também estará no centro das paralisações, que vão se espalhar Brasil afora.

Com informações da Fenae

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