Caixa lucra bilhões mas mantém exploração dos empregados

O maior banco público do país anunciou lucro líquido de R$ 1,488 bilhão. Apesar da alta e crescente rentabilidade, a gestão de Occhi, sob o comando do governo Temer, mantém uma política de escassez de empregados, com corte de postos de trabalho e não contratação de bancários

A Caixa anunciou nessa quarta-feira, 24, o lucro líquido de R$ 1,488 bilhão referente ao primeiro semestre deste ano, que cresceu 81,8% em relação ao mesmo período de 2016. De acordo com o banco, esse número é devido ao crescimento da margem financeira operacional e à redução das despesas de captação no mercado. No entanto, a alta rentabilidade também é fruto de uma gestão que visa o desmonte da Caixa 100% pública, com medidas como corte de empregados, desrespeito aos direitos dos bancários e aumento das tarifas bancárias.

A escassez de empregados nas agências e unidades da Caixa já ultrapassou todos os limites e a sobrecarga de trabalho tem causado o adoecimento da categoria. Somente neste ano, 4.429 bancários e bancárias foram demitidos do banco por meio do Programa de Desligamento Voluntários Extraordinários (PDVE). Atreladas à redução do quadro pessoal, estão outras arbitrariedades cometidas pela gestão de Gilberto Occhi, como a abertura de agências aos sábados e o desrespeito à jornada de seis horas do bancário.

“O alto lucro da Caixa tem sido obtido a partir da exploração e do adoecimento dos seus empregados. As agências estão superlotadas, os trabalhadores estão sobrecarregados e ainda têm sofrido pressão para trabalharem aos sábados. Não podemos aceitar essa gestão opressora e precisamos nos manter mobilizados para barrar esse desmonte da Caixa promovido por Occhi e pelo governo Temer”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Lizandre Borges.

Apesar do crescimento do banco, que registrou aumento do número de clientes de 3,2% em 12 meses, dos quais 83,8 milhões de pessoas físicas e 2,4 milhões de pessoas jurídicas, a gestão de Occhi investe na precarização do atendimento. Além de pagar altas tarifas e taxas de juros, com a drástica redução do número de empregados os clientes têm, ainda, que enfrentar longas filas para serem atendidos.

E o lucro de 2016?

Na comparação com o último trimestre do ano passado (R$ 691 milhões), o incremento na lucratividade foi de 115,3%. O lucro recorrente, que desconsidera efeitos extraordinários, totalizou R$ 1,7 bilhão, 49,6% maior que o verificado nos três últimos meses de 2016. Já o resultado operacional alcançou R$ 1,9 bilhão no trimestre, avanço de 420% em 12 meses.

Para o presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira, o lucro do primeiro trimestre reforça a necessidade de a direção da Caixa explicar o resultado de 2016. “Em setembro, quando o lucro acumulado era de R$ 3,4 bilhões, projetava-se fechar o ano com quase R$ 7 bilhões. No entanto, foram R$ 4,1 bilhões. O que ocorreu? Erro grotesco de projeção? Isso precisa ser esclarecido, e desde o final de março que empregados e as entidades representativas estão cobrando essas explicações”, observa.

Dionísio Reis, coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) e diretor da Região Sudeste da Fenae, acrescenta: os números rebatem a alegação de que o banco está quebrado. “Há duas semanas, a agência de classificação de risco Fitch afirmou que o banco está em situação alarmante e que vai precisar de capital do governo. Esse é o já conhecido discurso de quem quer enfraquecer a empresa para justificar abertura de capital ou privatização. Assim como resistimos na década de 90, resistiremos agora e sempre”, diz.

Caixa 100% pública

O balanço da Caixa no primeiro trimestre também reafirma a importância de se manter a Caixa 100% pública e a serviço dos brasileiros. A carteira de crédito alcançou saldo de R$ 715,0 bilhões, avanço de 4,5% em 12 meses e participação de 22,8% no mercado. O crescimento das operações de habitação, saneamento. Infraestrutura e crédito consignado foram os principais responsáveis pela evolução no período. A carteira imobiliária alcançou saldo de R$ 412,9 bilhões, enquanto as operações de saneamento e infraestrutura totalizaram R$ 78,9 bilhões.

Entre janeiro e março, foram pagos cerca de 39,8 milhões de benefícios sociais, correspondendo a R$ 7,2 bilhões. O principal programa de transferência de renda, Bolsa Família, pagou cerca de 38,2 milhões de benefícios no período, totalizando R$ 6,9 bilhões. A Caixa também foi responsável por realizar 67 milhões de pagamentos de benefícios voltados ao trabalhador, que totalizaram R$ 73,7 bilhões. Já os 16,1 milhões de créditos de aposentadorias e pensões totalizaram R$ 19 bilhões. “Os números mostram que não podemos abrir mão de uma Caixa 100% pública, pois ela é parceira estratégica na execução de políticas públicas”, finaliza Jair Pedro Ferreira.

Com informações da Fenae

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