Caixa: bancários devem resistir e lutar pela manutenção do acordo

O banco anunciou que a nova legislação trabalhista irá nortear as negociações e que não garante a renovação do acordo coletivo dos empregados e empregadas. Nova negociação será nesta quinta-feira, 26 de julho

É com mobilização e luta que bancários e bancárias devem responder à Caixa após a última rodada de negociação, realizada na última sexta-feira, 20, em Brasília. Mais uma vez, o banco se negou a assinar o pré-acordo e, ainda, afirmou que a nova legislação trabalhista balizará as decisões da Caixa na condução da Campanha Salarial 2018. Outro anúncio alarmante do banco é de que não garantirá a abrangência do Acordo Coletivo para todos os empregados, rompendo com política de igualdade de direitos conquistada há décadas pela categoria.

Mas o pacote de maldades da Caixa não para por aí. Além de não apresentarem nenhuma proposta efetiva, os representantes do banco reforçaram que a empresa não voltará atrás no fim da função de caixa, afirmaram que o pagamento da PLR seguirá as diretrizes da Fenaban e que não há autorização para discussão da PLR Social, que dependerá de regras definidas pelo governo. A Caixa, segundo eles, se submeterá aos limites estabelecidos pelo seu Conselho de Administração (CA), o que já era esperado após mudança e imposição do novo estatuto em dezembro do ano passado. As alterações previstas no novo estatuto engessam ainda mais as negociações e atacam diretamente o plano de saúde dos empregados e a PLR Social.  Nova reunião de negociação está marcada para o dia 26 de julho, também em Brasília.

A retirada de direitos dos bancários faz parte do projeto de privatização da Caixa, como alerta o diretor do Sindibancários/ES, Vinicius Moreira. “A Caixa é único banco 100% público do país  e seus empregados tem uma longa história de luta por direitos.  Esse endurecimento nas negociações e o anúncio de retirada de direitos representam um desrespeito aos milhares de empregados e empregadas que construíram a Caixa como um banco altamente lucrativo, forte e com papel fundamental para o desenvolvimento do país, ao longo de desses 157 anos. Querem retirar direitos para deixar a Caixa cada vez mais próxima do modelo de gestão adotado pelos bancos privados, preparando-a, dessa forma, para a privatização. Não podemos aceitar. Somente com os bancários na luta, participando ativamente da Campanha Salarial, cruzando os braços e saindo do ponto eletrônico é que vamos conseguir barrar esse desmonte do nosso acordo e da caixa 100% pública”, enfatiza.

Os representantes da Caixa afirmaram que a empresa entende que há avanços na reforma trabalhista e não pretende incluir no acordo coletivo salvaguardas para não aplicação da nova  legislação.  Adiantaram ainda que a empresa não pretende incluir no acordo cláusulas de contratação de concursados ou a realização de novos concursos para suprir a carência de pessoal. A empresa negou ainda o pagamento de um delta por ano por antiguidade aos empregados, mas sinalizou para a manutenção do atual modelo (um delta a cada dois anos) e aceita discutir critérios e regras para a implantação de uma gratificação por mérito.

Confira outros pontos discutidos, divididos pelos três eixos de discussão da reunião:

Nenhum direito a menos

A CEE buscou garantias aos trabalhadores na manutenção de seus direitos, mas a direção do banco se recusou a firmar salvaguardas aos trabalhadores.

Saúde do Trabalhador

A Caixa admitiu que é responsável pela garantia da saúde do trabalhador e se comprometeu a manter a mesa permanente, os debates dos grupos de trabalho (GTs) de Saúde Caixa e de Saúde do Trabalhador, reforçar a atuação dos fóruns regionais das Condições de Trabalho e debater questões específicas de alguns dos segmentos da carreira. O Fórum Nacional de Condições de trabalho receberá as pautas dos diversos segmentos da carreira profissional e administrativa do banco.

A CEE/Caixa cobrou o fim da discriminação de gênero,fim da possibilidade do descomissionamento de gestantes, além da manutenção da titularidade da função pelos empregados doentes durante a licença médica. Os empregados reivindicam também que a Caixa garante ampla defesa nos processos disciplinares, não punindo os trabalhadores antes do fim do processo. Atualmente, o trabalhador que recorrer corre o risco de ter a pena agravada

Caixa 100% pública

Sobre o fechamento de unidades da Caixa, eles afirmaram que não há previsão de fechamento de mais agências, mas sim transformação de algumas em postos de atendimento. Afirmaram também que a regra para acesso à atividade-fim da Caixa é o concurso público. Os empregados cobraram a redução imediata das taxas de juros e das tarifas. A Caixa afirmou que as taxas seguem a política definida para o banco. Ressaltaram que a Caixa não passará incólume ao momento macroeconômico e deverá seguir as diretrizes estabelecidas pelo governo na sua gestão. Os empregados lembraram que a principal função do banco público não é dar lucro, é cumprir seu papel social.

Com informações da Fenae
 

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