Caixa bate recorde de lucro e mantém condições precárias para empregados

Com crescimento de 19,2% em relação a 2012, a Caixa obteve lucro líquido recorde em 2013 de R$ 6,7 bilhões. No entanto, o aumento do lucro não reflete em melhores condições de trabalho e respeito aos direitos dos empregados. Agências com infraestrutura precária, sobrecarga de trabalho e pressão para o alcance de metas estão entre […]

Com crescimento de 19,2% em relação a 2012, a Caixa obteve lucro líquido recorde em 2013 de R$ 6,7 bilhões. No entanto, o aumento do lucro não reflete em melhores condições de trabalho e respeito aos direitos dos empregados. Agências com infraestrutura precária, sobrecarga de trabalho e pressão para o alcance de metas estão entre os principais problemas vivenciados por bancários e bancárias da Caixa.

Em 2013, o banco contratou 5.272 novos empregados, mas, em contrapartida, inaugurou 420 novas agências, o que equivale a uma média de 12 empregados por nova agência. Esses dados revelam que a instituição investe na ampliação da oferta de serviços e no número de agências em detrimento do respeito aos seus empregados, que sofrem cotidianamente com a sobrecarga de trabalho e com a imposição de metas. Ao todo, a Caixa possui 3.288 agências no país.

“É inconcebível que um banco público com as peculiaridades da Caixa priorize o lucro em detrimento da melhoria dos serviços prestados à população, com a superexploração dos trabalhadores. O aumento do lucro anual da caixa está proporcionalmente ligado à deterioração das condições de trabalho e da qualidade de vida de seus trabalhadores e trabalhadoras”, diz a diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Lizandre Borges.

Apesar do aumento do lucro, a Caixa irá reduzir o repasse de parte do valor para o governo.Em 2013, o banco repassou R$ 4,7 bilhões ao governo federal, o equivalente a 85% dos ganhos que são repartidos como dividendos. Neste ano, somente 45% do valor será destinado ao governo.  Segundo a Caixa, essa é a solução encontrada para continuar concedendo crédito, mantendo o crescimento em 22%, sem receber mais recursos do governo.

Contraf omite desrespeito ao bancário

Em matéria publicada no site da Contraf, o presidente da instituição, Carlos Cordeiro, elogia a gestão da Caixa e não faz nenhuma referência à situação degradante a que bancários e bancárias do banco estão submetidos. A matéria ressalta que o lucro da Caixa é resultado de um crescimento com desenvolvimento econômico e social e desconsidera a prática do banco de desrespeitar os direitos dos seus empregados.

“A Contraf demonstra mais uma vez sua concordância com a política econômica do governo Dilma. Não faz sentido o elogio à essa gestão capitalista e de exploração dos trabalhadores, que estão adoecendo física e mentalmente nos bancos. A Contraf, como entidade de representação dos bancários, deveria se posicionar contra essa gestão desastrosa”, afirma Lizandre.

Dados

A carteira de crédito total da Caixa somou R$ 494,2 bilhões no final de dezembro de 2013, com crescimento de 36,8% em 12 meses (6,7% no trimestre). O crédito à pessoa física totalizou  R$ 80,9 bilhões (com crescimento de 45,7% em 12 meses).  O crédito à pessoa jurídica totalizou R$ 90,8 bilhões em 2013, com alta de 37,8% em relação a 2012. Já o crédito habitacional, principal carteira da Caixa, cresceu 31,4%, atingindo um montante de R$ 270,4 bilhões. 

Diante do crescimento da carteira de crédito, as despesas com provisões para devedores duvidosos (PDD) tiveram alta de 19,7% em 12 meses, totalizando R$ 9,2 bilhões. As taxas de inadimplência, por sua vez, subiram 0,2 pontos percentuais em relação a dezembro de 2012, ficando em 2,3%. As receitas de prestação de serviços e tarifas bancárias atingiram R$ 16,4 bilhões, com alta de 14,5% em relação a dezembro de 2012. As despesas de pessoal, no período, por sua vez, tiveram alta de 17,8%.

Com informações da Contraf e do Jornal Folha de São Paulo.

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