Caixa completa 154 anos sob ameaça de privatização

Nesta segunda-feira, 12, a Caixa completou 154 anos. Foram mais de um século e meio de história que resultaram em uma instituição sólida, lucrativa e 100% pública. Mas, ao invés de comemorar, os trabalhadores bancários e a sociedade brasileira compartilham um sentimento de insegurança, desde que a Presidente Dilma anunciou, em dezembro de 2014, a […]

Nesta segunda-feira, 12, a Caixa completou 154 anos. Foram mais de um século e meio de história que resultaram em uma instituição sólida, lucrativa e 100% pública. Mas, ao invés de comemorar, os trabalhadores bancários e a sociedade brasileira compartilham um sentimento de insegurança, desde que a Presidente Dilma anunciou, em dezembro de 2014, a perspectiva de abertura do capital da Caixa.

O que está em curso é, na verdade, o início de um processo de privatização do banco que coloca em risco o emprego de mais de 100 mil empregados, além da história de uma instituição que é a principal responsável pela aplicação das políticas sociais do país que envolvem financiamento bancário e programas de transferência de renda. 

Criada em 1861, a Caixa é o maior banco público do Brasil e a terceira maior instituição financeira do país em ativos totais. Em setembro de 2014, a empresa tinha R$ 1 trilhão em ativos, segundo dados do Banco Central, atrás somente do também público Banco do Brasil, com R$ 1,3 trilhão, e do privado Itaú com R$ 1,1 trilhão.

Entre 2008 e 2013, a carteira de crédito da Caixa passou de R$ 80,1 bilhões para R$ 494,2 bilhões, aumento de 517%. O lucro líquido aumentou 72%, passando de R$ 3,9 bilhões para R$ 6,7 bilhões. Além disso, os programas de transferência de renda distribuíram cerca de R$ 26,5 bilhões em 2013, totalizando 181,2 milhões de benefícios pagos. 

Com a privatização da Caixa, Dilma prova que seu projeto de governo não se diferencia do projeto neoliberal de FHC com relação aos bancos públicos, em especial, à CEF. De forma vergonhosa, a presidente rompe o compromisso de campanha assumido com os trabalhadores bancários, de fortalecimento dos bancos públicos, registrado na Carta Aberta aos Trabalhadores dos Bancos Públicos Federais divulgada no dia 23 de outubro de 2014.

Contra o anúncio da presidente, a Intersindical e diversas Centrais Sindicais e entidades de representação dos trabalhadores bancários – entre elas Contraf e Fenae – se manifestaram e protocolaram, no dia 23 de dezembro, um pedido de audiência com o governo federal para debater o tema. Os documentos foram encaminhados também à presidenta Dilma Rousseff, aos ministros da Secretaria-Geral e da Fazenda e ao presidente da Caixa, Jorge Hereda. Até o momento, nenhuma entidade de classe foi ouvida.

Para os bancários, o aniversário da Caixa é mais um momento de luta e de defesa do patrimônio do povo brasileiro. É o que enfatiza a diretora do Sindicato dos Bancários/ES e bancária da Caixa, Rita Lima.

“Não vamos permitir que uma empresa centenária como a Caixa, que é patrimônio do povo e que prestou e presta serviços tão relevantes para a sociedade, seja submetida à privatização para atender os interesses do capital internacional. Vamos resistir e estamos firmes nessa luta”, diz Rita.

Com informações da Contraf

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