Caixa dá mais um passo rumo à privatização com a criação do Banco Digital

A comercialização de uma série de produtos do banco será feita pela Money Ex, uma empresa que tem como sócio Guga Stocco, do Banco Original

O Conselho Diretor da Caixa aprovou, no mês passado, a criação do Banco Digital e um acordo operacional para a comercialização de seus produtos como cartões de crédito, crédito rotativo, operações de empréstimos. A comercialização será realizada pela Money Ex, uma empresa joint venture que terá 51% do capital.

A Money Ex tem entre seus sócios Guilherme Stocco Filho, ex-diretor do Banco Original. O Banco Original é controlado pela J&F Participações, holding que abriga a JBS, empresa que está sendo investigada pela Operação Lava Jato. O ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles foi presidente do conselho de administração da J&F até ser indicado por Michel Temer para o ministério.

Para Lizandre Borges, diretora do Sindibancários/ES, Ana Vescovi está conseguindo implementar a política de privatização internamente. Uma das principais medidas de Vescovi de aprofundamento da abertura da Caixa e denunciada pelo Sindibancários/ES é a abertura de  seleção externa para vice-presidências da Caixa.

“A privatização da Caixa já está acontecendo. À medida que a direção passa para a iniciativa privada setores de negócios estratégicos, a Caixa vai perdendo seu patrimônio enquanto empresa pública e, portanto, perdendo sua função social junto à população. Esse fatiamento do banco só enfraquece a Caixa e se continuar nessa linha, Ana Vescovi irá conseguir concretizar a privatização do banco antes do final do governo Temer”, avalia.

O acordo entre a Caixa e a joint venture tem prazo inicial de 10 anos, mas poderá ser renovado indefinidamente. O cancelamento antecipado impõe à Caixa, se for dela a iniciativa da rescisão, multa de duas vezes o valor do investimento realizado, que inicialmente será de R$ 270 milhões.

Em entrevista dada ao Brazil Journal, Guga Stocco, o criador da operação online do Banco Original afirma que seu projeto mais ambicioso está por vir. De acordo com a matéria, Guga está trabalhando numa tecnologia para colocar a operação dos bancos integralmente na nuvem. Ele explica que para ter um banco integralmente digital são necessários três pilares. As duas primeiras foram conquistadas no Banco Original: a escala, possível pela abertura de contas pelo celular, e a plataforma de open banking, que permite incorporar à plataforma, de forma orgânica, tecnologias desenvolvidas por terceiros. A última é colocar toda a operação na nuvem, o que significa que um banco inteiro poderá ser operado com apenas 30 ou 40 pessoas.

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