Caixa declara que reivindicações da categoria são “inviáveis”

Carreira, jornada de trabalho, Sistema de Ponto Eletrônico (Sipon) e organização do movimento. Essas foram as principais questões discutidas na quarta rodada de negociação específica da Caixa. Mais uma vez, o desrespeito aos trabalhadores prevaleceu e a Caixa não apresentou nenhuma proposta às reivindicações dos empregados. Para o banco, todos os itens apresentados pelo Comando […]

Carreira, jornada de trabalho, Sistema de Ponto Eletrônico (Sipon) e organização do movimento. Essas foram as principais questões discutidas na quarta rodada de negociação específica da Caixa. Mais uma vez, o desrespeito aos trabalhadores prevaleceu e a Caixa não apresentou nenhuma proposta às reivindicações dos empregados. Para o banco, todos os itens apresentados pelo Comando Nacional dos Bancários são “inviáveis”. A rodada foi realizada na última sexta-feira, 12, em Brasília.

Em quatro reuniões realizadas até o momento, a Caixa não apenas recusou todas as reivindicações, como também não apresentou nenhuma proposta.

“É lastimável que a Caixa insista em não negociar com os trabalhadores. O banco vem batendo recorde de lucro, agradece aos empregados pelos resultados alcançados, mas não negocia os direitos desses trabalhadores. Além disso, a Caixa oferece, cada vez mais, péssimas condições de trabalho e mantém a prática do assédio moral. Nossa avaliação é que o único caminho que a Caixa oferece à categoria é uma paralisação forte para responder a essa intransigência”, destaca a diretora do Sindicato dos Bancários/ES e bancária da Caixa, Lizandre Borges.

Negociações

A diretora do Sindibancários/ES também criticou a forma como as negociações estão sendo conduzidas pela corrente majoritária do Comando. “Não podemos aceitar a maneira como a corrente majoritária do Comando Nacional dos Bancários está conduzindo as negociações, prejudicando a categoria. Está sendo priorizado o projeto de governo do PT, tendo em vista as eleições, e não há respeito pela luta dos bancários. Justamente devido às eleições, essa é a hora de pressionar os banqueiros para conquistarmos nossos direitos”, enfatiza Lizandre.

Jornada de seis horas

Os representantes dos trabalhadores cobraram da Caixa o cumprimento da jornada de seis horas e a adoção do login único para evitar fraudes no registro do ponto eletrônico. A estação única adotada pela empresa não impede que o empregado continue trabalhando após o término da jornada.

Os negociadores do banco disseram que o fim das horas extras sistemáticas também é o desejo da Caixa e que a empresa tem envidado esforços para que isso ocorra.No entanto, segundo o Comando, a realidade nas unidades de todo o país é bem diferente. A sobrecarga de trabalho força os empregados a trabalharem acima da jornada, e eles sofrem pressão para não fazer horas extras ou não registrar corretamente o ponto. Outro fator que agrava essa situação é a carência de empregados, problema negado pela Caixa.

Um dos principais problemas são as condições precárias em que estão trabalhando, por exemplo, os tesoureiros, por conta do excesso de atribuições. As dificuldades desse segmento já foram colocadas em mesas de negociação. A Caixa prometeu soluções, mas não as colocou em prática. Ainda com relação à jornada, o Comando defendeu o pagamento de horas extras a todos os trabalhadores e o fim da compensação.

Carreira

A Caixa voltou a rejeitar a adoção de critérios para descomissionamentos. Os representantes dos trabalhadores criticaram o banco por não deixar claro as regras utilizadas e por tomar a medida de forma unilateral, deixando a cargo do gestor a retirada de função.

Outra proposta recusada pela Caixa é a criação de comitê paritário – integrado por representantes dos empregados e da empresa – para acompanhar o Processo Seletivo Interno (PSI). Outro ponto cobrado na negociação foi o retorno do incentivo à graduação. Os representantes da empresa alegaram que o programa está suspenso temporariamente para reavaliação e ficaram de apresentar uma posição sobre esse benefício durante a campanha salarial.

O Comando reivindicou também atenção da empresa aos supervisores de canais. Estes trabalhadores são cobrados como gerentes, mas têm remuneração inferior. Além disso, são obrigados a arcar com despesas como combustível e telefone para exercer suas atividades. A Caixa alega que o salário é compatível com as atribuições e solicitou à área responsável a demanda sobre o ressarcimento das despesas.

Foi debatida também a implantação do plano de carreira próprio para os empregados do setor de tecnologia. Em reunião realizada na semana passada, o vice-presidente de Tecnologia da Informação da Caixa, Joaquim Lima, prometeu apresentar na quinta-feira (11) proposta de encarreiramento da TI, o que não aconteceu.

A informação dada aos trabalhadores foi a de que o projeto seria apresentado nesta sexta, na negociação específica da Campanha 2014. Mas a Caixa, mais uma vez, frustrou os empregados da área, ao informar que o assunto será tratado posteriormente, na mesa de negociação permanente.

Organização do movimento

A Caixa também negou as reivindicações relativas à organização do movimento como ampliação à inamovibilidade dos delegados sindicais durante a estabilidade. Quanto à participação do suplente de representante dos empregados nas reuniões do Conselho de Administração (CA), os negociadores da empresa alegaram que esta decisão compete ao CA.

A coordenadora da CEE/Caixa pediu uma nova reunião com o banco para aprofundar o debate de algumas reivindicações. A data da negociação será definida no início da próxima semana, quando a Fenaban confirmará se vai apresentar uma proposta global à categoria bancária na sexta-feira (19).

Com informações da Contraf e Fenae.

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