Caixa demonstra intransigência durante a segunda rodada de negociação

Na segunda rodada de negociações entre os empregados da Caixa Econômica e a direção da instituição financeira, ocorrida na sexta-feira, 4, os representantes do banco se negaram a atender as reivindicações dos trabalhadores. Durante a rodada de negociação foram discutidas questões relativas à saúde do trabalhador, aposentados e Funcef. “Diante da total falta de diálogo […]

Na segunda rodada de negociações entre os empregados da Caixa Econômica e a direção da instituição financeira, ocorrida na sexta-feira, 4, os representantes do banco se negaram a atender as reivindicações dos trabalhadores. Durante a rodada de negociação foram discutidas questões relativas à saúde do trabalhador, aposentados e Funcef.

“Diante da total falta de diálogo por parte da direção do banco, é preciso que os bancários e bancárias acompanhem as rodadas e mantenham-se mobilizados. Somente com a pressão da categoria, vamos garantir avanços na nossa Campanha Salarial”, afirma a diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Lizandre Borges.

Entre as reivindicações apresentadas pelos bancários está a criação de um Grupo de Trabalho paritário para debater e buscar soluções para resolver os problemas enfrentados pelo fundo de pensão, como o plano de equacionamento do REG/Replan saldado e não-saldado, contencioso judicial, governança, entre outros. O banco ficou de analisar a solicitação. Além disso, os membros da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) ressaltaram que as ações judiciais são um dos fatores que impactam nos resultados da Funcef. Segundo dados divulgados pela Fundação, em 2015 já estão provisionados cerca de R$ 181 milhões para risco de condenação remoto, quase R$ 7,1 bilhões para risco possível e mais de R$ 1,8 bilhão para risco provável, totalizando mais de R$ 8,9 bilhões.

A Caixa alegou que está cumprindo com o Acordo Operacional, que prevê a responsabilidade da empresa apenas nas ações relacionadas a auxílio-alimentação, cesta-alimentação, abono na complementação da aposentadoria e Plano de Assistência Médica Supletiva (Pams), e que tem feito o repasse de recursos para a Funcef. No entanto, segundo os trabalhadores, esses itens representam a parcela menor do contencioso judicial. A maioria das ações é relativa ao Complemento Temporário Variável de Ajuste de Mercado (CTVA), sendo esse passivo de total responsabilidade da patrocinadora.

Outras reivindicações

Também foram abordadas na negociação questões como fim do voto de Minerva, o reconhecimento do CTVA como verba salarial para fins de aporte ao fundo de pensão aos que permaneceram no REG/Replan não-saldado e aos que o saldaram, e o fim da discriminação aos trabalhadores que não saldaram o REG/Replan e, em função disso, são impedidos de migrar para Plano de Cargos e Salários (PCS) de 2008 e para o Plano de Funções Gratificadas (PFG) de 2010. A Caixa se recusou a atender todas essas reivindicações.

Ainda sobre Funcef, outra reivindicação dos trabalhadores é a incorporação do REB ao Novo Plano. Segundo a Caixa, o processo está desde junho no Ministério da Fazenda, e a demora na implantação desta medida se deve a dificuldades impostas pelos órgãos controladores. Não há previsão de quando a metodologia formulada conjuntamente pela Fundação e a patrocinadora será encaminhada à Previc, última instância de deliberação.

Outras reivindicações que a Caixa se recusa a atender são as relacionadas aos aposentados, como extensão do Saúde Caixa aos desligados em Plano de Adesão ao Desligamento Voluntário (PADV), programa de refinanciamento de dívidas do segmento e criação de programa que assegure atendimento digno aos aposentados e pensionistas nas unidades. Em relação a esse último quesito, o banco alegou que já adota esta prática e que situações isoladas podem ser denunciadas para serem apuradas.

Saúde do Trabalhador

Quando os trabalhadores reivindicaram a adoção da remuneração-base para fins de cálculo dos adicionais de insalubridade e periculosidade, a Caixa afirmou que, em relação a isso, já cumpre o que está previsto na legislação, que é o pagamento do valor de R$ um salário mínimo, conforme está previsto no artigo 192 da CLT. Segundo o banco, existem questionamentos para mudar o valor no Superior Tribunal Federal, mas enquanto o STF não se posicionar, ficará mantida vinculação ao mínimo.

A Caixa também alegou que cumpre o que está previsto na legislação quando os trabalhadores apresentaram reivindicações como incorporação da gratificação de função e CTVA aos salários para empregados que forem obrigados a abandonar a função em razão de problemas de saúde, criação de protocolo de combate ao assédio sexual e abertura de CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) no prazo de 24 horas para todos os trabalhadores lotados nas unidades que sofrerem ocorrência de assaltos.

A próxima rodada de negociação específica da Caixa na sexta-feira, 11. Os temas debatidos serão Saúde Caixa, carreira, isonomia e organização do movimento.

Imprima
Imprimir

Comentários