Caixa: disputa pela presidência do banco expõe interesse privatista

Mírian Belchior foi exonerada e Joaquim Lima de Oliveira assumiu a presidência interina da instituição financeira

A narrativa sobre a privatização da Caixa ganhou mais um episódio nesta quarta-feira (25) com a exoneração de Míriam Belchior e a assunção de Joaquim Lima de Oliveira, à presidência interina no banco. Oliveira é funcionário de carreira e atual vice-presidente de tecnologia da informação da Caixa.  Designada pela presidenta Dilma Rousseff para iniciar a liquidação da Caixa com a abertura de capital da Caixa Seguros, em 2014, Míriam deixa o comando do banco exposta às indefinições do governo ilegítimo.

De acordo com a EBC, o nome de Oliveira permanecerá enquanto o governo ilegítimo não acertar os trâmites para a entrada de Gilberto Occhi. Conforme noticiado pela Revista Época, o nome de Occhi não é aceito por Henrique Meirelles, novo ministro da fazenda. A barganha política pela qual a presidência da Caixa passa, de acordo com Lizandre Borges, diretora do Sindicato, prejudica institucionalmente o banco.

“A indefinição na nomeação do novo presidente deixa evidente que a Caixa está sendo barganhada pelos abutres que tomaram o governo. É inadmissível que uma instituição centenária e altamente respeitável e lucrativa como a Caixa esteja na berlinda e ao sabor de interesses escusos”, afirma.

A presidência da Caixa está prometida ao PP, partido que apoiou o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff e está entranhado nos esquemas de corrupção investigados pela Operação Lava Jato.

Gilberto Occhi ex-ministro do governo Dilma e também funcionário da Caixa tem falado à imprensa como futuro presidente do banco. Ao jornal O Estado de São Paulo Occhi detalhou parte do plano para a entrega do patrimônio do banco ao mercado arquitetado pelo governo ilegítimo instalado no Palácio do Jaburu.

Leia a análise do Sindibancários/ES sobre Occhi e o plano de desmonte da CEF.

Occhi é conhecido entre bancários capixabas e nordestinos pelos desmandos operados ao longo de sua trajetória profissional.

Desmonte da Caixa já começou

A possível transferência de operação do Bolsa Família para as agências do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) anunciada pelo governo ilegítimo é entendida pelo Sindicato como uma das medidas de privatização da Caixa 100% Pública.

“Temer apresenta mais uma vez a motivação do golpe com a inclinação da Caixa ao mercado e a expulsão da população de baixa renda que frequenta o banco e faz uso das políticas sociais operadas tradicionalmente, e com muito orgulho, pela Caixa. Como de costume, as classes populares serão penalizadas”, aponta Borges.

A propaganda do governo tem enfatizado de forma positiva o número de agências do INSS existentes no Brasil (cerca de 1700). O que ela não tem dito, por outro lado, e que é sabido pela população que frequenta tais agências é a incapacidade de tal estrutura abarcar um programa volumoso e complexo como o Bolsa Família. A Caixa, atualmente, possui mais de quatro mil agências em operação no Brasil
Com informações da EBC, Época e Reuters.

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