Caixa divulga lista de benefícios “lendários”

Publicação destaca direitos conquistados pelos bancários, mas que são desrespeitados pela Caixa

Em meio a uma enxurrada de tentativas de retirada de direitos e a negativa em contratar mais empregados, a Caixa divulgou, nesta semana, um Guia de Benefícios para seus empregados, na tentativa de criar a imagem de “melhor banco” para se trabalhar. Direitos conquistados pela categoria após anos de luta e outros garantidos pela CLT são destacados como “benefícios” concedidos de forma bondosa pela Caixa.

Além dessa distorção, muitas das 65 “concessões” destacadas pela Caixa são lendárias. Apesar de garantidos no Acordo Coletivo e na CLT, direitos como intervalo de dez minutos para caixas, a cada 50 minutos, descanso especial para mães em amamentação, programa de ginástica laboral, jornada de seis horas, entre outros, simplesmente são ignorados pela Caixa.

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Submetidos a precárias condições de trabalho, os bancários da Caixa sequer conseguem usufruir de direitos como os cinco dias de Apip. Licenças garantidas legalmente também só podem ser tiradas após o empregado esgotar todas as outras possibilidades de ausências do trabalho, como férias, que é garantida na CLT para descanso do trabalhador.

A origem dessas graves violações dos direitos conquistados pelos bancários está na forma de gestão da Caixa voltada para o mercado, adotada pelos governos FHC (PSDB), Lula (PT) e Dilma (PT) e intensificada pelo golpista Temer (PMDB).  A escassez de empregados tem provocado uma pesada sobrecarga de trabalho nos bancários e bancárias da Caixa, que ainda têm que lidar com a pressão para alcançar metas inatingíveis.

“Ao divulgar esse guia, a Caixa trata as conquistas dos trabalhadores como benefícios estatégicos concedidos por ela, desqualificando o histórico de lutas da nossa categoria. Além disso, apesar de garantidos no papel, esses direitos são negados aos bancários cotidianamente pela Caixa. Há agências em que há apenas um caixa ou um atendente. Como esses empregados podem usufruir do Apip, por exemplo? A realidade do trabalho bancário na Caixa está cada vez mais cruel. Os empregados devem transformar a divulgação desse guia em mais um instrumento para exigir que a Caixa respeite os direitos conquistados”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Lizandre Borges.

Retirada de direitos

Enquanto tenta se colocar como uma empresa promissora para seus empregados, a Caixa vem implementando uma série de medidas de retiradas de direitos. Uma das mais recentes é a tentativa de não conceder o pagamento de adicional de insalubridade aos avaliadores de penhor. Após pressão dos trabalhadores, a Caixa manteve o adicional até o mês de setembro.

Outro ataque da Caixa aos direitos dos bancários foi a restrição à incorporação da função após dez anos de trabalho. Após alterações no RH 184, válidas a partir de 01 de julho, o bancário da Caixa passa a depender de autorização da vice-presidência do banco para ter esse direito garantido. A medida adotada pela Caixa viola um princípio básico do direito do trabalho expresso na súmula 372 do TST, além de gerar passivos trabalhistas.

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