Caixa e BB cortam 21,2 mil empregados em dois anos

Enquanto número de empregados cai, o número de reclamações só aumenta. Além de prejudicar a qualidade no atendimento ao cliente, a redução do quadro de funcionários sobrecarrega os que ficam

 

Caixa e Banco do Brasil demitiram 21,2 mil empregados nos últimos dois anos. As demissões fazem parte da política de gestão adotada pelas direções dos bancos públicos brasileiros de reduzir custos e tornar a estrutura mais parecida com a dos bancos privados. Os cortes, contudo, tem afetado diretamente a qualidade dos serviços prestados à população, além de aumentar a sobrecarga de trabalho nas agências.

Na Caixa, um plano de demissão voluntária resultou na saída de 9,2 mil pessoas, queda de 9,7%. A Caixa diz que o objetivo é “ajustar a estrutura ao cenário competitivo e econômico atual, buscando mais eficiência do banco”.

“Como tornar mais eficiente com menos empregados?”, questiona Rita Lima, diretora do Sindibancários/ES. “O corte de pessoal faz parte da política de desmonte dos bancos públicos. A Caixa não realiza apenas operações financeiras típicas dos bancos privados, ela é a empresa pública brasileira responsável por todas as políticas sociais do governo de habitação, de crédito popular, de financiamento público etc, e por isso não pode ter o mesmo parâmetro de eficiência dos bancos privados, que visam apenas o lucro”, ressalta.

No BB, ações como o incentivo à aposentadoria e mudança na estrutura de atendimento resultaram na saída de mais de 16 mil pessoas, sendo quase 12 mil apenas nos últimos dois anos, quando o quadro diminuiu em 10,9%. O BB diz que a redução do quadro de funcionários busca “a sustentabilidade da empresa em um mercado em profunda transformação”.

Para a diretora do Sindibancários/ES, Garoti Barone, a mudança na missão do Banco do Brasil que agora se caracteriza como sendo “um banco de mercado, competitivo e rentável, atuando com espírito público”, já revela que o BB está, cada dia mais, sendo adequado para o mercado. “Esse processo de adequar o BB ao mercado está acontecendo gradativamente e a redução do quadro de pessoal é mais uma ação no sentido de aproximá-lo da postura dos bancos privados. As demissões e reestruturações geram instabilidade para os trabalhadores, aumento do assédio moral sofrido nas agências e precariedade no atendimento e tudo isso vem consolidando a proposta de privatização do banco”, avalia.

As demissões atingiram até os estagiários. No BB, o número despencou em 60% em dois anos com o desligamento de 2,8 mil estagiários. Na Caixa, o corte foi de 30%.

O ranking do Banco Central revela que, nos últimos dois anos, cresceram as reclamações relativas à qualidade dos serviços prestados por BB e Caixa. Em junho de 2016, a Caixa era o terceiro grande banco com mais reclamações e o BB ocupava a sexta posição. Desde então, a Caixa chegou a liderar o ranking em alguns períodos e atualmente é o segundo pior avaliado. Já o BB passou de sexto a terceiro mais reclamado.

 

 

 

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