Caixa e BB se unem a bancos privados para formar birô de crédito

A formação do birô de crédito afasta o BB e a Caixa do seu papel de fomentar políticas públicas, reduz postos de trabalho bancário e prejudica os clientes ao aumentar o custo de crédito

A Caixa e o Banco do Brasil se juntaram ao Bradesco, Itaú e Santander para a constituição da empresa Gestora de Inteligência de Crédito S.A, um birô de crédito que vai trabalhar nos mesmos moldes da Serasa, Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e Boa Vista. Na sociedade entre os bancos, cada um deles terá 20% do negócio.

Estima-se, segundo a Comissão de Valores Econômicos (CVM), que o birô de crédito estará operando integralmente em 2019. Além disso, irá concorrer num mercado amplo de dados de crédito que fatura cerca de R$ 3 bilhões anuais e pode dobrar em alguns anos. Para a diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Lizandre Borges, a constituição da empresa faz com que tanto a Caixa quanto o BB ampliem seu caráter comercial.

“Os bancos públicos estão se associando aos privados e se distanciando da essência de promotores de políticas públicas, fazendo com que fiquem focados cada vez mais na questão comercial”, diz Lizandre.

O também diretor do Sindibancários, Giovani Riccio, afirma que essa iniciativa pode prejudicar tanto a categoria bancária quanto os clientes.

“A junção dessas instituições financeiras para constituir a empresa vai gerar a concentração de mercado de crédito. Um único sistema fará a análise de crédito, ou seja, será apenas uma empresa empregadora, sendo que poderiam ser cinco, reduzindo postos de trabalho bancário. Além disso, não haverá concorrência, o que para o cliente é ruim, pois haverá aumento do custo de crédito”, diz Giovani.

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