Caixa enfrenta novas ameaças

O presidente da Caixa, Gilberto Occhi, anunciou à imprensa que a instituição financeira será colocada no balcão de negócios do mercado de ações

Em entrevista ao Wall Street Journal, o presidente da Caixa, Gilberto Occhi, afirmou que a instituição, o maior banco público da América Latina, será colocada no balcão de negócios do mercado de ações. A justificativa é que o banco precisa vender ativos para evitar um pedido de socorro ao governo federal em 2018. A todo custo, Occhi, sob o governo Temer, tenta emplacar a ideia de que a Caixa é um banco frágil e uma pedra no caminho do desenvolvimento econômico do Brasil.

De acordo com Occhi, o aumento da inadimplência e a necessidade de enquadrar o a Caixa nas medidas do Acordo de Basileia III, que obrigam os bancos a reforçar sua reserva de capital para uma possível crise de liquidez, justificam as medidas anunciadas. No entanto, com lucro líquido em 2015 de R$ 7,2 bilhões e de R$ 2,4 bilhões no primeiro semestre deste ano, a Caixa cresce a cada ano com um banco forte e altamente rentável.

Os argumentos de uma possível crise na Caixa em 2018 nada mais são, portanto, do que estratégias do governo Temer para preparar a Caixa para a privatização. Um banco gestor de volumosos recursos, como o FGTS, com cerca de 85 milhões de clientes e presente na maioria dos municípios do Brasil desperta há décadas a cobiça do setor privado.

“Enfrentamos uma dura Campanha Salarial e várias tentativas de retirada de direitos dos empregados estão em curso. A venda de ativos é mais uma investida do governo Temer para fragilizar o banco e a abrir seu capital. A Caixa é altamente lucrativa, um banco com 156 anos de história, construído pelas mãos dos trabalhadores e que tem um importante papel no desenvolvimento social do Brasil. Essa tática de enfraquecimento do banco já foi usada na década de 90, quando a resistência dos bancários barrou a tentativa de privatização. Hoje, novamente precisamos ter uma forte mobilização dos bancários e bancárias em defesa da Caixa 100% pública”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Lizandre Borges.

Os planos

No anúncio feito por Occhi ao Wall Street Journal, ele cita dentre as alternativas para a venda de ativos, a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da Caixa Seguridade e a venda do controle da Lotex, a divisão de loterias da Caixa. Apesar de afirmar que não há negociações em andamento, o governo golpista de Temer já tem os planos bem traçados, que incluem a venda das participações da Caixa no frigorífico JBS (de 5,82%) e no banco PAN (antigo Panamericano), de 49%.

“Em vez dessas ações, porque Gilberto Occhi não aponta como alternativa o fim do patrocínio aos times de futebol? A instituição financeira mantém patrocínios milionários a 12 times brasileiros”, questiona Lizandre.

FGTS na Caixa

Enquanto tenta-se vender a ideia de sérias dificuldades na Caixa, instituições privadas elevam a cobiça quanto à gestão do FGTS. Hoje, os mais de R$ 450 bilhões são geridos exclusivamente pela Caixa. Os bancos privados já foram responsáveis pelo Fundo, época em que houve sérios danos ao patrimônio dos trabalhadores. Além disso, levar esses recursos para instituições que visam apenas o lucro é abrir mão do papel social do FGTS, que financia programas habitacionais, de infraestrutura e de saneamento, por exemplo.

É também do início da década de 1990 a criação do Conselho Curador do FGTS, órgão tripartite composto por representantes dos trabalhadores, dos empresários e do governo federal, a quem cabe “estabelecer as diretrizes e os programas de alocação de todos os recursos”. As novas regras tiveram o mérito de efetivar a participação direta dos trabalhadores na gestão e na formulação de políticas sociais implantadas com recursos do Fundo de Garantia.

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Com informações da Fenae e do site G1

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