Caixa impõe remoção de bancários e bancárias

Medida é uma forma de pressionar bancários e bancárias a aderirem ao PDV e faz parte, ainda, do pacote de desmonte do maior banco público do país

A Caixa anunciou nesta segunda-feira, 03, mais uma reestruturação.  Sem sequer dialogar com os empregados ou com suas entidades representativas, a direção da Caixa impõe que um pouco mais de 800 bancários e bancárias sem função da matriz e áreas meio optem até esta quinta-feira, 06, para qual agência serão transferidos. O empregado que não se manifestar será removido para a unidade que a Caixa desejar.

O que a direção da Caixa chama de “equalização da força de trabalho” é na verdade uma medida de pressão para empregados aderirem ao Programa de Desligamento Voluntário (PDV) e um largo passo para o desmonte completo da Caixa como banco 100% público, com o aprofundamento da escassez de empregados.

Somente nos últimos três anos, a Caixa perdeu 17 mil postos de trabalho, o que provocou aumento dos casos de adoecimento de empregados e comprometeu a qualidade do atendimento à população.

“Há uma demanda latente por empregados nas agências, mas essa reestruturação não resolverá o problema. Pelo contrário, criará uma defasagem de empregados também na área meio. Além disso, as remoções impactam diretamente a vida dos empregados. A forma como a direção da Caixa está agindo é totalmente autoritária e sabemos que essa reestruturação é um instrumento de pressão para pressionar bancários a aderirem ao PDV. O anúncio das remoções obrigatórias instalou o pânico entre os bancários”, critica a diretora do Sindibancários/ES, Lizandre Borges.

Consequências das remoções

Em comunicado interno, a Caixa destaca que as remoções vão “impactar diretamente diversas frentes da empresa”. Sim, vão mesmo: impactar negativamente, como destaca Lizandre Borges.

“Esses empregados são especializados e são essenciais para os processos de trabalho na Caixa, dando inclusive suporte para aqueles que estão na agência. A remoção desses bancários prejudicará a continuidade do trabalho nas agências, uma vez que essas dependem diretamente do trabalho realizado pela área meio”.

Atenção bancários!

Conforme o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) vigente, delegados sindicais, membros de Cipas e empregados que estejam com problemas de saúde ou de licença para tratamento não podem ser realocados. O Sindibancários/ES está acompanhando esse processo e orienta que qualquer tipo de assédio aos bancários para aderirem ao PDV deve ser denunciado.

Privatização à vista

Essa não é a primeira medida de desmonte da Caixa adotada pelo governo Bolsonaro. A adoção do modelo de trabalho remoto, a retirada da Caixa do Conselho Curador do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), o anúncio da privatização das áreas mais rentáveis do banco (seguros, cartões, FGTS, e outros) e o recém lançado PDV estão no pacote de preparação da Caixa para a privatização.

Com o novo PDV, por exemplo, a Caixa terá em torno de 20 mil empregados a menos. As novas contratações anunciadas pelo governo e as remoções não resolvem o problema da escassez de empregados e a sobrecarga de trabalho nas unidades, como denuncia a representante dos bancários e bancárias no Conselho de Administração da Caixa, Rita Serrano.

“Essas estratégias paliativas poderão simplesmente servir de justificativa para ampliar a terceirização nas áreas meio, que ficarão desfalcadas e, no futuro próximo, também serão argumento para fechamento de agências, porque mesmo com as transferências e contratações não será possível cobrir a demanda que há hoje nos locais de atendimento”.

Rita Serrano completa ainda: “A solução seria a contratação adequada, investimento grande em tecnologia e a otimização dos processos. Obviamente, tudo isso passa pela valorização da função pública da Caixa. É preciso ter claro que essa é mais uma medida aliada a outras que preveem a privatização de ativos da Caixa, o esvaziamento e privatização do Fundo de Garantia e uma série de medidas que estão sendo tomadas pelo governo que visam, na realidade, o desmantelamento dos bancos públicos, da Caixa, e, obviamente, a privatização de suas operações mais rentáveis. Esse é o momento de união dos trabalhadores, de organização. A Caixa é importante para o país, temos direitos conquistados e não podemos abrir mão deles”.

 

 

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