Caixa insiste em não cumprir cláusulas dos Acordos Coletivos e anuncia novo PAA

Durante a reunião realizada na quinta-feira, 28, entre a Caixa, a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) e a Contraf, a instituição financeira insistiu em manter o descumprimento de cláusulas acordadas nas duas últimas campanhas salariais, como a contratação de mais empregados. A Caixa ainda anunciou a abertura de um novo Plano de Apoio à Aposentadoria […]

Durante a reunião realizada na quinta-feira, 28, entre a Caixa, a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) e a Contraf, a instituição financeira insistiu em manter o descumprimento de cláusulas acordadas nas duas últimas campanhas salariais, como a contratação de mais empregados. A Caixa ainda anunciou a abertura de um novo Plano de Apoio à Aposentadoria (PAA) na próxima segunda-feira, 1º de fevereiro. Por meio dele, cerca de 1.500 empregados serão desligados, reduzindo ainda mais o já escasso quadro de funcionários.

As medidas apresentadas são contrárias à importância do banco, que é a maior instituição financeira pública do Brasil e da América Latina e terceiro maior banco do Brasil, entre público e privados.

“Os empregados mais do que nunca precisam se unir, porque o que está em jogo é o nosso emprego e a empresa. Antes de tudo, de qualquer função que ocupamos no banco, somos todos trabalhadores da Caixa e temos que defender a instituição e o emprego. A manutenção dos nossos empregos depende da defesa da Caixa 100% pública. Essa gestão da Miriam Belchior segue as diretrizes do governo Dilma (PT) e é voltada para o desmantelamento da Caixa. Reduzir o quadro de funcionários e sobrecarregar os empregados representam apenas o início da privatização do banco, que é dos brasileiros. Não podemos permanecer imóveis diante desse ataque”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Lizandre Borges.

Contratação

Se a falta de pessoal já é grave nas unidades de todo o país, o problema ficará ainda pior. A Caixa confirmou que um novo Plano de Apoio à Aposentadoria (PAA) será aberto a partir do dia 1º de fevereiro, no qual o banco espera desligar em torno de 1.500 empregados. As adesões vão até 31 de março, e o prazo para desligamento será de 15 de fevereiro a 29 de abril. Os representantes da empresa disseram que não haverá reposição das vagas, mas realocação de pessoal para as agências, sem informar como isso ocorrerá.

Ao ser questionada sobre o cumprimento da cláusula 50 do ACT 2014/2015, que previa a contratação de mais 2 mil empregados até 31 de dezembro do ano passado, a empresa alegou que cumpriu o que estava no acordo. Conforme os interlocutores da empresa, de 1º de setembro de 2014 até o final de 2015 foram contratados 2.102 trabalhadores.

Os membros da CEE rebateram a informação, argumentando que quando o ACT foi fechado o banco contava com 101 mil empregados. Quando os trabalhadores concordaram com a cláusula de mais dois mil empregados era para que a Caixa chegasse aos 103 mil trabalhadores autorizados pelo órgão controlador. Porém, o que ocorreu foi uma redução drástica do quadro de pessoal. No final do ano, a empresa estava com quase cinco mil trabalhadores a menos.


Saúde Caixa

A CEE também cobrou, na mesa, o cumprimento da cláusula 42 do ACT 2014/2015, que prevê a destinação do superávit do plano de saúde dos empregados da Caixa. Em 26 de maio do ano passado, foi homologada na mesa de negociação permanente proposta com três medidas: redução do percentual de coparticipação de 20% para 15%, inclusão da remoção por ambulância no rol de serviços e a extensão de programas de qualidade de vida aos dependentes e titulares aposentados e pensionistas.

A redução da coparticipação deveria entrar em vigor em janeiro deste ano, o que não aconteceu. A Caixa alegou que a proposta, apesar de contar com o referendo das áreas técnicas da empresa envolvidas na discussão e dos trabalhadores, foi debatida e rejeitada pelo Conselho Diretor. A proposta da empresa foi que o tema voltasse para o GT Saúde Caixa para formulação de uma nova alternativa, o que foi rejeitado pela CEE/Caixa.

Adiantamento Odontológico

Apesar da Caixa ter assumido o compromisso no encerramento da campanha salarial de que até o dia 31 de dezembro do ano passado apresentaria uma solução para retomada do Adiantamento Assistencial Odontológico, a empresa chegou à mesa de negociação sem nenhuma proposta. Os representantes do banco argumentaram que não havia previsão de quando isto iria acontecer, e que os técnicos da área não conseguiram encontrar uma saída para o problema. Após a pressão dos membros da CEE, os interlocutores da empresa se comprometeram, mais uma vez, a apresentar uma proposta em até 30 dias.

Reestruturação

Os representantes da Caixa admitiram pela primeira vez que um projeto piloto de reestruturação está sendo executado em Brasília. A CEE solicitou detalhes sobre as mudanças, mas a empresa argumentou que por se tratar de um piloto nada pode ser divulgado no momento.

Promoção por mérito

Os interlocutores do banco reafirmaram que os reajustes da promoção por mérito serão creditados na folha salarial de fevereiro, com valores retroativos a janeiro. Eles explicaram que o adiamento ocorreu devido a uma inconsistência no sistema, mas não repassaram informações sobre as porcentagens de trabalhadores que receberão um ou dois deltas, bem como os que não alcançaram promoção em 2015. Esses dados devem ser apresentados à comissão que formulou a sistemática até 5 de fevereiro.

As regras da promoção por mérito 2015, com reflexos neste ano, foram definidas por uma comissão paritária e divulgadas no dia 25 de maio do ano passado. Foi uma das conquistas da campanha salarial de 2014. A sistemática garantiu um delta com 40 pontos, 10 a menos que na metodologia anterior. Também foram considerados critérios subjetivos, que garantiram até 20 pontos.

Ampliação dos fóruns

A Caixa anunciou que devido à avaliação positiva dos seis pilotos dos fóruns regionais de condições de trabalho (Brasília, Campinas, Curitiba, Fortaleza, Rio de Janeiro e São Paulo), estes serão ampliados para todo o país. Uma reunião do fórum nacional foi agendada para 16 de março, quando serão definidos os detalhes sobre a expansão para todas as Gipes. Essas instâncias foram uma conquista da campanha salarial 2014. As entidades também avaliaram como positiva a implantação dos pilotos.

A Comissão Executiva dos Empregados cobrou um posicionamento sobre a agência barco da Ilha de Marajó, no Pará, que foi destruída durante incêndio no dia 21 de janeiro. Não houve vítimas. A Caixa informou que está investigando o acidente e que começou avaliar uma nova embarcação para retomar as atividades em 90 dias. Segundo o banco, os empregados receberam a assistência necessária e estão trabalhando em suas unidades de origem.

Os representantes da Caixa informaram ainda que assim que for divulgado o balanço de 2015, o que só deve ocorrer na última semana de fevereiro, será paga a segunda parcela da Participação nos Lucros e Resultados. O ACT 2015/2016 prevê que isso deve ocorrer até 31 de março. No ano passado, a segunda parcela foi creditada no dia 28 de fevereiro.

Fonte: Agência Fenae

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