Caixa: jornada de 6 horas completa 33 anos

Depois de greve histórica, economiários da CEF conquistaram o reconhecimento como bancários, o direito à jornada de 6 horas e à sindicalização.

A conquista da jornada de seis horas para os empregados da Caixa Econômica Federal completou 33 anos nesta terça-feira, 30. Essa foi uma das principais vitórias da histórica greve de 30 de outubro 1985, quando os então economiários da CEF foram reconhecidos como bancários. A paralisação nacional foi de 24 horas e, no Espírito Santo, 100% das agências ficaram paralisadas.

Assembleia que deflagrou a greve no ES

Resgatar a história de luta dos bancários e das bancárias da Caixa é fundamental para fortalecer os processos de resistência atuais. O banco vem passando por várias reestruturações que precarizam as condições de trabalho e o atendimento à população, e já enfrentou sucessivas ameaças de privatização no período recente – quando não de venda total, de fatiamento da estrutura do banco, como é o caso da Lotex, cujo leilão está anunciado para 29 de novembro.

A jornada de seis horas também está na corda bamba com a recente flexibilização do horário de almoço, além da reforma trabalhista de Temer, que permite ampliação da jornada mediante acordos individuais.

Mas em tempos de retrocesso, a única saída é seguir lutando. Por isso, a greve de 1985 seguirá sendo exemplo de união e de força para a categoria. Uma memória que deve ser celebrada sempre.

As origens da greve de 1985

As mobilizações que resultaram na greve de 1985 começaram muito antes, em 1981, quando a Caixa admitiu 20 mil escriturários básicos por meio de concurso, que ingressaram no banco ganhando salário 50% inferior ao dos funcionários que já trabalhavam na instituição.

A diferenciação causou descontentamento nos trabalhadores, que reivindicavam isonomia de tratamento. Diante das pressões, a Caixa realizou, em 1984, dois processos seletivos internos que possibilitavam o enquadramento de apenas 4 mil dos 20 mil escriturários básicos. Alguns bancários, em São Paulo, em forma de protesto se negaram a fazer as provas. Eles foram demitidos, o que gerou uma grande mobilização em prol da reintegração desses trabalhadores, pelo enquadramento dos 20 mil escriturários aprovados no concurso, pela jornada de seis horas, pelo reconhecimento dos funcionários da Caixa enquanto bancários e pelo direito à sindicalização.

Dessa grande paralisação nacional foi iniciada na Caixa uma tradição de deflagrar greves nacionais amplas e unificadas.

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