Caixa lança novo PDV e pretende desligar 1600 empregados

Período de ingresso será de 23 a 30 de novembro. Se concretizados os 1600 desligamentos prometidos pelo PDV, serão 17 mil empregados a menos na Caixa desde 2014.

A Caixa anunciou nesta sexta, 23, um novo programa de demissão voluntária (PDV), com expectativa de atingir 1.626 empregados. O anúncio acontece um dia após a indicação do novo presidente do banco, Pedro Guimarães, um especialista em privatizações.

Segundo a Caixa, o PDV, cujo período de ingresso será de 23 a 30 de novembro, faz parte da política de ajustes do banco e resultará em economia anual de R$ 324 milhões. O impacto dessa “economia” para as condições de trabalho e de atendimento no banco serão graves, como alerta a representante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa, Rita Serrano.

“Isso obviamente traz um impacto negativo no atendimento e para os empregados que ficam, pois aumenta a pressão e a sobrecarga de trabalho. Além disso, é mais uma tentativa de diminuição do banco público”, diz.

Se concretizados os 1600 desligamentos prometidos pelo PDV, serão 17 mil empregados a menos na Caixa desde 2014.

Critérios

Podem aderir ao programa os empregados aposentados pelo INSS ou aptos a se aposentarem pelo INSS até o dia 31 de dezembro, sem exigência de tempo mínimo de trabalho na Caixa; bancários com no mínimo 15 anos de efetivo exercício de trabalho na Caixa e bancários com adicional de incorporação de função de confiança, cargo em comissão ou função gratificada.

Indenização

O bancário que aderir ao PDV terá direito a receber, em caráter indenizatório e pago em parcela única, o equivalente a 9,8 remunerações base, limitado a R$ 490 mil. O Sindicato alerta, contudo, que é importante avaliar, além da indenização, todos os impactos financeiros que o desligamento pode causar, tanto em relação a percepção de remuneração variável quanto ao equacionamento da Funcef.

“Quando o bancário se desliga, naturalmente há uma redução da sua renda, anual e mensal, porque ele deixa de receber a PLR, férias, o tíquete-alimentação, que são verbas que compõe a renda do empregado na ativa. O impacto em relação ao equacionamento da Funcef também é grande. Isso é um alerta importante porque muitos desconsideram esses valores na hora de aderir ao PDV. E quando não se prepararam para a aposentadoria, os bancários veem muito alteradas a sua condição financeira e, por consequência, sua qualidade de vida”.

Lizandre também chama a atenção para o impacto na saúde e condições de trabalho dos que ficam no banco. “Com a redução de empregados, as condições de trabalho só pioram. Esse PDV é parte do processo de desmonte da Caixa, incluída aí a redução do seu papel social. Mais uma vez, temos que resistir”, destaca a diretora.

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