Caixa limita em 90 mil o quadro de funcionários para reduzir custos

O diretor do Sindibancários/ES Igor Bongiovani afirma que o ataque aos trabalhadores segue em duas vertentes. A primeira é sucatear ainda mais a Caixa em seu papel social, preparando-a para a privatização; a segunda é que a Caixa tem o objetivo de contratar trabalhadores terceirizados e intermitentes sem direitos como os demais, para suprir as demandas do banco

A Caixa Econômica Federal está reduzindo seu quadro de funcionários e nesta semana o governo federal alterou o limite de postos de trabalho na estatal. O objetivo é cortar custos, limitando em 90 mil o máximo de funcionários próprios do banco, após portaria publicada na última terça-feira, dia 21, e divulgada na grande mídia.

Atualmente, a Caixa possui cerca de 87 mil empregados. No último processo de demissão voluntária, aderiram 2.806 empregados, e na edição anterior, a adesão foi de 4.429 empregados. A alteração do limite visa a ajustar essa regra ao quadro de empregados após programas de demissão voluntária (PDVs).

“Esse é mais um ataque aos trabalhadores, que segue em duas vertentes. A primeira é sucatear ainda mais a Caixa em seu papel social, preparando-a para a privatização, algo que é muito aguardado pelo mercado; a segunda vertente é que a Caixa está se preparando com o objetivo de contratar trabalhadores terceirizados e intermitentes sem direitos como os demais, para suprir as demandas do banco”.”, afirma o diretor do Sindicato dos Bancários/ES, Igor Bongiovani.

No primeiro semestre de 2017, a Caixa reduziu em 4.777 empregados seu quadro, através de programas de desligamento, de acordo com informações divulgadas na mídia pelo Ministério do Planejamento. Pela portaria, o banco poderá “praticar atos de gestão” para adequar seu quadro de funcionários ao limite, para repor empregados “desligados ou que vierem a se desligar”. Não foram divulgadas pela Caixa informações se o banco poderá fazer novas demissões ou programas de desligamento.

A portaria, da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST), tem vigência imediata e não inclui no limite os aposentados por invalidez. No limite de 90 mil funcionários, estão considerados os empregados efetivos ingressantes por intermédio de concursos públicos; os empregados que possuem cargos, empregos ou funções comissionadas; os empregados que estão cedidos a outros órgãos; os empregados de outros órgãos cedidos à empresa; os empregados que estão afastados por doença, por acidente de trabalho, ou por qualquer outra razão.

O diretor do Sindibancários/ES reforça que reivindicação por mais empregados na Caixa é uma pauta antiga de trabalhadores e a redução no número de empregados significa ainda mais adoecimento para os que ficam, precarização das condições de trabalho, demora no atendimento ao público, principalmente, os de baixa renda, e a redução drástica das políticas públicas tão necessária ao desenvolvimento social do país.

“É uma irresponsabilidade gigantesca sucatear uma empresa tão importante para o país. Essa luta deve ser não só dos trabalhadores do banco, mas de toda sociedade”, enfatiza.

Imprima
Imprimir