Caixa lucra bilhões e mantém gestão de opressão aos empregados

Apesar do lucro de R$ 6,2 bilhões, a Caixa cortou 7.315 postos de trabalho e implanta programa de bonificação que discrimina a maior parte de seus empregados

Com lucro líquido de R$ 6,2 bilhões, a Caixa registrou um aumento de 84,5% nos nove primeiros meses de 2017, em comparação com o mesmo período de 2016. Apesar do lucro bilionário e crescente, devido ao Plano de Aposentadorias e Demissões Voluntárias, a Caixa reduziu fortemente seu quadro de pessoal com o fechamento de 7.315 postos de trabalho. No período, a Caixa abriu quatro novas agências.

“Esse lucro bilionário foi alcançado às custas da redução do quadro de empregados, que sofrem diariamente com forte assédio moral para cumprimento de metas e com a sobrecarga de trabalho. A gestão de Occhi, comandada pelo governo Temer, tem sido cada vez mais de opressão aos bancários da Caixa. Nossa resposta a essas medidas deve ser de forte mobilização para lutar por mais empregados e melhores condições de trabalho”, destaca o diretor do Sindibancários/ES, Giovani Riccio.

A elevação no lucro se deu principalmente pelo lado da redução de despesas de intermediação financeira. A despesa de captação caiu 21% e a despesa de PDD caiu 14,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Nesse período, também foi registrado uma redução de 1.774.000 clientes, entre Pessoa Física e Jurídica.

Gestão que discrimina

O lucro da Caixa é fruto do trabalho de todos bancários e bancárias. No entanto, a gestão de Occhi intensifica uma política de gestão discriminatória com a implantação do Bônus Caixa. A remuneração variável, que abrange o período de 01 de janeiro a 31 de dezembro, será paga somente aos gerentes, superintendentes, coordenadores e supervisores.

“A Caixa é um banco que completa 157 anos de história em 2018, construído pelas mãos dos seus milhares de empregados. O Bônus Caixa discrimina a maioria dos bancários que trabalham arduamente para que a Caixa continue crescendo. A atual gestão quer impor uma política de segregação e concorrência interna, dividindo os empregados. Não podemos aceitar mais essa medida de desmonte da Caixa como banco público”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Lizandre Borges.

Lucro com a carteira habitacional

A Carteira de Crédito Ampliada cresceu 1,8% em doze meses, atingindo o saldo de R$ 712 bilhões. Novamente, destacou-se o desempenho da carteira habitacional que totalizou R$ 429 bilhões e cresceu 6,8% em relação ao 3º trimestre de 2017. A Caixa detém quase 70% do mercado de crédito habitacional do sistema financeiro e essa carteira representou 60,2% do crédito total ofertado pelo banco no 3º trimestre de 2017. A inadimplência da carteira imobiliária ficou em 1,88%, abaixo da inadimplência geral registrada pelo banco no 3º trimestre de 2017, que foi de 2,72%.

O índice de inadimplência geral para atrasos superiores a 90 dias teve queda de 0,8 p.p. em relação ao 3º trimestre de 2016 (de 3,48% para 2,72%). As despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa (PCLD) recuaram 14,7%, mas se mantiveram em patamar elevado chegando a R$ 12,9 bilhões.

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